15% dos casos de câncer de pulmão acontecem em não fumantes

Agosto é o mês de conscientização da doença

Por Da Redação
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15% dos casos de câncer de pulmão acontecem em não fumantes

Foto: Freepik

A professora aposentada Claudete Felix de Souza, de 65 anos, começou a sentir dores nas costas que impediam ela de dormir no começo de 2022. Como se recuperava de uma infecção pelo vírus Chikungunya, ela acreditou que ainda estava com sequelas da doença. Porém, a dor não passou.

Pouco tempo após as dores, Claudete destacou eu estava com a respiração alterada e difícil. Ela então passou por fisioterapia e diferentes médicos especialistas até que um cardiologista notou que os pulmões estavam com capacidade comprometida e com líquido acumulado.

Após os sintomas, Claudete foi orientada a procurar a emergência e o diagnóstico finalmente chegou: câncer de pulmão. Porém, existia um detalhe, ela nunca fumou na vida.

“Quando a médica da emergência falou, a gente ainda não sabia onde era o câncer. Ela não especificou. Mas a palavra câncer era muito assustadora. Ainda é muito assustadora. Me desesperei”, destacou.

Claudete teve que ficar internada, passou por biópsia e encontrou um bom oncologista e começou o tratamento com o medicamento Tagrisso 80mg, coberto pelo plano de saúde. No momento, o quadro é considerado sob controle.

“Sempre me alimentei bem, fazia algumas atividades físicas. Não sou exemplo ou modelo de alimentação perfeita nem de atividade física perfeita. Mas sempre tive boa saúde”. 

“É difícil ouvir que você tem uma doença tão fatal, fatídica, que tem uma denominação tão estranha quando você ouve pra si", relembrou.

"É importante que a pessoa tenha muita clareza de que ela tem condições de sobreviver e tem que procurar bons apoios, inclusive do ponto de vista médico. Entender que um bom médico é aquele que te olha, te vê, te busca, te trata, te acompanha. É difícil achar médico assim. Outra coisa: psicólogo. A cabeça fica mal. Me sentia muito culpada, muito triste. E procurar as pessoas que realmente importam na sua vida. Minha família me apoiou muito. Isso foi fundamental”, seguiu.

Em entrevista à Agência Brasil, o oncologista e médico pesquisador no Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Henrique Araújo, alertou que atualmente, 15% dos casos de câncer de pulmão são diagnosticados em pessoas como Claudete, que nunca haviam fumado.

“O fato é que o tabagismo vem reduzindo, o consumo de tabaco vem reduzindo no mundo e no Brasil. Isso tem causado uma redução na mortalidade por câncer, inclusive câncer de pulmão. A preocupação agora começa a ser o câncer de pulmão em não fumantes”. 

De acordo com Araújo, se for considerada uma enfermidade a parte, o câncer de pulmão em não fumantes se caracteriza atualmente como a sétima maior causa de morte por câncer no mundo, só ficando atrás do câncer de pulmão em fumantes, de estômago, colorretal, de fígado, de mama e de esôfago.

“As causas disso são pouco esclarecidas. Recentemente, a gente teve documentações mais formais sobre a relação da exposição ambiental à poluição e suas partículas associada ao surgimento de câncer de pulmão especificamente em não fumantes. A poluição tem sido colocada como a segunda principal causa de câncer de pulmão. Outras são o tabagismo de segunda mão ou tabagismo passivo.”

Agosto Branco

No mês de conscientização sobre o câncer de pulmão, Araújo destacou que a ideia é aumentar a conscientização sobre a doença em não fumantes.

"Cerca de 15% dos casos de câncer de pulmão acontecem em pessoas que nunca fumaram. Também precisamos esclarecer sobre a importância de procurar um médico em casos de sintomas respiratórios que não estão melhorando. Diagnóstico precoce e um time multidisciplinar, incluindo pneumologista, cirurgião, oncologista e outros, são essenciais”. 

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