69 ararinhas-azuis são resgatadas de criadouro na Bahia por operação da PF
A ação foi feita para evitar contaminação pelo circovírus identificado no local

Foto: Reprodução/gov
A operação conjunta entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Polícia Federal resgatou 69 ararinhas de um criadouro Ararinha-Azulem Curuça, norte da Bahia, nesta quarta-feria (27). A ação ocorre após surto de circovírus e pelo desucmprimento das medidas de biossegurança na localidade. As aves resgatadas testaram negativo.
Essa ação é a segunda fase da Operação Blue Hope, deflagrada em dezembro de 2025, com o objetivo de investigar um surto do circovírus no local. Segundo as investigações, o criadouro apresentava falhas nos protocolos de biossegurança, como ausência de medidas básicas de higiene e falta do uso de equipamentos de proteção individual (EPI's) pelos funcionários.
O local foi notificado a primeira vez e, segundo o Instituto, foi multado em R$ 18 milhões pelo descumprimento das regras.
O ICMBio apontou que, das 103 aves do criadouro, 34 testaram positivo para o vírus. As ararinhas não infectadas foram retiradas do local e estão isoladas em quarentena no Cemafauna adaptado na Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina.
A manifestação do circovírus está sendo tratada como emergência sanitária pelo ICMBio. O vírus é a causa da Doença do Bico e das Penas dos Psitacídeos (PBFD), que não possui cura e tem alta letalidade. A doença danifica as ararinhas e não infecta humanos nem aves de produção.
Por meio de nota, o criadouro informou que nenhuma ave morreu desde que foi identificado o circovírus na região e que as medidas para conter a disseminação foram tomadas.
Leia a nota completa do criadouro:
"O criadouro Ararinha-Azul recebeu com perplexidade a ação realizada nesta data pelas autoridades ambientais.
Conforme comunicação oficial encaminhada em 31 de março de 2026 aos órgãos competentes, os exames laboratoriais mais recentes indicaram resultado negativo para circovírus nas aves testadas, tendo sido igualmente informado que todo o plantel apresentava resultados negativos.
Desde o início das medidas de enfrentamento ao circovírus na região, nenhuma ave veio a óbito. Durante todo o período, o criadouro manteve acompanhamento sanitário permanente, com protocolos de biossegurança, manejo e bem-estar animal, estrutura adequada e equipe técnica especializada.
O criadouro também mantinha interlocução técnica contínua com o ICMBio sobre medidas de manejo, biossegurança e bem-estar das aves, tendo iniciado adequações estruturais para permitir o acesso às áreas externas dos recintos, conforme autorização expedida pelo próprio instituto em 9 de março de 2026.
Além disso, nova rodada de testagem do plantel estava oficialmente programada para ter início amanhã, com participação confirmada das autoridades competentes.
Autoridades alemãs também já haviam realizado exames prévios nas aves antes de seu envio ao Brasil, e avaliações laboratoriais recentes confirmaram a ausência do vírus na origem.
As medidas adotadas nesta data ocorreram sem a necessária interlocução institucional e produziram grave impacto sobre a continuidade do programa.
A insegurança gerada afugentou patrocinadores e apoiadores financeiros, que comunicaram a impossibilidade de manter o suporte econômico necessário às atividades do criadouro.
Esse cenário compromete diretamente a continuidade operacional do programa de conservação conduzido pela instituição.
O criadouro Ararinha-Azul reafirma seu compromisso com a biossegurança, a transparência técnica, a saúde das aves e a preservação da espécie, colocando-se à disposição para colaborar com as autoridades competentes na condução responsável das medidas necessárias."


