Acordo para salvar BRB prevê plano de reestruturação do banco estatal

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, já indicou, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que uma eventual quebra do banco levaria a um rombo de R$ 17 bilhões ao FGC

Por FolhaPress
Às

Acordo para salvar BRB prevê plano de reestruturação do banco estatal

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

ADRIANA FERNANDES 

Após o fechamento do acordo de socorro ao BRB (Banco de Brasília), o governo do Distrito Federal terá que apresentar um plano robusto de reestruturação do banco estatal para afastar o risco de o empréstimo do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) ter fôlego curto.

De acordo com técnicos do governo federal que participaram do desenho do resgate financeiro, a governadora do DF, Celina Leão (PP), precisará colocar "pele no jogo" para tirar o BRB da crise financeira.

Isso significa, na prática, vender mais ativos, fora os que já estão programados e anunciados pelo governo do DF, para injetar mais capital no BRB além do previsto. Em assembleia extraordinária, realizada em abril, o banco público já aprovou um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, que poderá não ser suficiente no longo prazo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já indicou o tamanho do buraco do BRB ao falar, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que uma eventual quebra do banco levaria a um rombo de R$ 17 bilhões ao FGC.

O BRB não publicou até agora o seu balanço de 2025, descumprindo prazos legais do Banco Central, e essa foi a primeira sinalização de uma autoridade econômica sobre o real tamanho das perdas após o banco estatal se envolver na compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master, de Daniel Vorcaro. O que se sabe até agora é que o BRB comprou cerca de R$ 21,9 bilhões em ativos do Master.

O acordo foi fechado nesta quinta-feira (28) entre o governo federal e o DF durante audiência de conciliação intermediada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux. A auxiliares, Fux disse que apenas homologou a proposta levada pelo Ministério da Fazenda.

O acordo também prevê a adoção de medidas de ajuste fiscal pelo governo de Celina Leão. O governo não poderá dar aumento salarial aos servidores, criar cargos ou realizar concursos. O objetivo é viabilizar um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões do FGC para o BRB.

A articulação da saída para o BRB começou cerca de 10 dias antes de o governo do DF entrar com a ação no STF para suspender a regra que impedia o governo Lula de dar garantia ao empréstimo do FGC, de acordo com relatos obtidos pela reportagem com as partes envolvidas nas negociações.

A petição do governo do DF foi protocolada no STF no dia 20 de maio e mantida sob sigilo. Àquela altura, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, já tinha dado um sinal de abertura de diálogo em público, o que animou o time do presidente do BRB, Nelson Antônio de Sousa. Antes, o desânimo havia se instalado porque o presidente Lula tinha se negado a abrir uma agenda para receber Celina Leão, apesar do pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

No governo federal e até mesmo entre integrantes do BRB, havia o diagnóstico de inação da gestão Celina Leão. A articulação envolveu conversas de Durigan com o presidente Lula, que deu aval para que o ministro seguisse nos estudos em busca de uma saída para o banco de Brasília.

Um técnico contou que o Ministério da Fazenda já imaginava que poderia haver um recurso do DF no STF, como já ocorreu no passado com outros Estados para flexibilizar regras. O temor era de que o Supremo, por exemplo, mandasse o Tesouro pagar empréstimo ou até mesmo federalizar o BRB.

A missão dada aos técnicos do Tesouro foi encontrar uma opção que não envolvesse resgate do banco com dinheiro público. Pesou na decisão o papel do BRB como operador de política pública no DF, com a gestão da folha de servidores, do sistema de bilhetagem de passagens de transporte urbano e pagamento de benefícios sociais. São funções que se assemelham às desempenhadas pela Dataprev e pelo Serpro, duas estatais do governo federal, de acordo com um auxiliar de Lula.

A visão que prevaleceu no governo foi a de que a intensificação da crise poderia respingar também no governo federal neste ano eleitoral.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:[email protected]
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário