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Vídeo: Advogada denuncia perseguição em rede de supermercado: "Sempre pessoas negras"

Vítima acionou a Polícia Militar e diz que vai processar a rede Atacadão Atakarejo

Por Kaylane Matos
Às

Atualizado
Vídeo: Advogada denuncia perseguição em rede de supermercado: "Sempre pessoas negras"

Foto: Reprodução / Redes Sociais

A advogada Gabriela Sena denunciou nas redes sociais um episódio de constrangimento e discriminação que sofreu em um supermercado da rede Atakarejo. O caso aconteceu no último dia 6 de setembro. 

A vítima detalha que após ser seguida pelos corredores, foi impedida de sair do local por um fiscal de prevenção e um segurança armado, que arrancaram as compras dela do carrinho e atiraram as sacolas no chão sob suspeita infundada de furto.

Gabriela conta que permaneceu mais de duas horas no local sem suporte da gerência ou de algum encarregado, sob a justificativa de que estavam em horário de almoço.

"Eu não fui constrangida para 10, 20 pessoas, eu fui constrangida. Eu tenho certeza que tinha mais de 100 pessoas, contando com os funcionários e com as pessoas que estavam lá fazendo compras.", declarou Gabriela.

A gerência só prestou suporte após a chegada de uma viatura da Polícia Militar, acionada pela própria vítima. Apenas com a presença dos policiais um funcionário recolheu os produtos do chão.

Ao Farol da Bahia, a rede de supermercado Atacadão Atakarejo informou ter procurado a cliente, em nome do CEO Teobaldo Costa, mas que apenas responderia por meio dos advogados. 

Repercussão 

No relato, a advogada levantou que foi julgada a partir de um estereótipo visual, que por ser uma mulher preta, vestida de roupas casuais, os funcionários presumiram que ela não teria capacidade financeira para arcar com as compras. Ela enfatiza que esse tipo de abordagem reflete um padrão recorrente vivido por pessoas negras.

"Sempre são pessoas com as mesmas características que as minhas", declarou.

O relato teve grande repercussão entre internautas e personalidades que se pronunciaram nas redes sociais. A professora Bárbara Carine prestou solidariedade a Gabriela e classificou a abordagem como um caso absurdo de racismo. Doutora pela Universidade Federal da Bahia, Bárbara destacou as nuances do racismo que desumaniza sem seletividade. 

"Uma advogada viveu essa experiência aí, porque o racismo, ele não vem seletividade com negros, não. Ele te expõe nesse lugar inumano, desenvolvido outrora pelo racismo científico, que coloca a gente nessa condição de propensão ao crime constantemente.", posicionou Bárbara.

Nos comentários, internautas cobram posicionamento da rede e repudiaram a ação. 

Justiça

A advogada contestou a ilegalidade dos procedimentos adotados pelos funcionários da loja e destacou os procedimentos padrões que deveriam ter sido adorados pelo estabelecimento. 

Após o ocorrido, Gabriela informou que acionou o advogado, Dr. Bruno Moura, e reafirmou o compromisso em buscar justiça nas esferas cível e criminal.

Quando a PM foi acionada, houve o atendimento da ocorrência no local. A tipificação e o registro formal foram posteriormente tratados na esfera da Polícia Civil, inclusive com o registro da ocorrência.

Confira o vídeo abaixo:

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