Ano novo, finanças em ordem: especialistas dão dicas para planejar o orçamento e investir com segurança
Revisão do orçamento no começo do ano pode funcionar como guia financeiroao longo dos meses

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O início do ano costuma ser o momento ideal para revisar hábitos financeiros, organizar o orçamento e estabelecer metas para os meses seguintes.
Para a arquiteta Geovana Souza, 28, que passou a adotar esse ritual há dois anos, o controle dos gastos se tornou uma tarefa fácil após, já no início do ano, definir objetivos e organizar as finanças.
"Faço na reta final de dezembro, através de uma planilha do Excel mesmo. Não é nada muito elaborado, eu defino algumas metas, desde as mais simples de alcançar até as de longo prazo, e decido quanto destinarei mensalmente pra isso. Também reviso os meus gastos fixos e quanto sobra do salário. Mudou a minha vida, me sinto mais confiante para gastar", destaca.
Já o estudante Vinicius Passos, 21, fez pela primeira vez o seu planejamento financeiro no final do ano. "Fui incentivado por alguns amigos e decidi tentar. Não vejo a hora de colocar em prática em 2026, espero ter mais controle e espero conseguir alcançar os meus objetivos com mais facilidade", disse.
Especialistas apontam que o planejamento financeiro feito nesse período pode funcionar como um guia ao longo de todo o ano, ajudando tanto quem enfrenta dívidas quanto quem busca ampliar a capacidade de poupança e investimento.
O planejamento financeiro anual permite um diagnóstico mais claro da renda, das despesas fixas e variáveis e dos compromissos já assumidos. No entanto, saber por onde iniciar essa avaliação e, sobretudo, como manter a disciplina ao longo dos meses ainda é uma das principais dificuldades enfrentadas por grande parte dos brasileiros.
Para o economista e vice-presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA) Edval Landulfo, o primeiro passo deve ser traçar um planejamento realista com a vida financeira e objetivos. “Eu não posso planejar comprar um sítio, uma casa de praia, um carro novo, se eu tenho ali dois salários mínimos de ganhos. Tem que haver planejamento”, disse Edval.
“Se uma pessoa recebe dois salários mínimos, mora de aluguel, por exemplo, e quer comprar a casa própria, o que é que é preciso fazer para isso? É preciso aumentar a renda. E como é que aumenta essa renda? Além da atividade extra, é preciso estudar, é preciso ver algo que vai possibilitar aumento dos ganhos. Se é por meio do investimento, é preciso estudar investimento. Se é através de um negócio, é necessário investir no estudo daquele negócio, porque é essa expectativa de você mudar a renda que vai fazer com que alcance, que trace bem esse planejamento e vá buscar essas realizações”, completa.
Para quem iniciou o ano com dívidas acumuladas, o economista chama a atenção ainda para a importância de um planejamento que vá além da quitação dos débitos, priorizando também a revisão e a redução das despesas.
Investimentos
No campo dos investimentos, antes de escolher a modalidade, a planejadora financeira Anna Fonseca orienta que o investidor compreenda claramente o objetivo da aplicação. “Investir sem objetivo é como viajar sem destino: você até se movimenta, mas não necessariamente você vai chegar no lugar que você quer”, pontua.
Segundo Anna, após definir o objetivo financeiro, é fundamental adotar três movimentos considerados essenciais. O primeiro é começar pelo simples, estruturando uma reserva de emergência em produtos seguros e com alta liquidez. Em seguida, ela recomenda investir com intenção, alinhando cada objetivo a um tipo específico de investimento, evitando decisões confusas ou desalinhadas. Por fim, a orientação é resistir às “modinhas” do mercado, ao efeito manada e à ansiedade por retornos rápidos.
“Investir não exige dominar todas as estratégias, mas sim iniciar de forma segura e evoluir gradualmente, conforme as demandas da própria vida”, destaca a especialista.


