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Anvisa autoriza produção nacional da vacina contra a chikungunya do Butantan

Imunizante será incorporado ao SUS com mais facilidade

Por FolhaPress
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Anvisa autoriza produção nacional da vacina contra a chikungunya do Butantan

Foto: shammiknr / Pixabay

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou nesta segunda-feira (4) a fabricação no Brasil da vacina do Instituto Butantan contra a chikungunya. Com a decisão, o imunizante deve ter o caminho facilitado para ser incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde).

Desenvolvida em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva, a vacina foi a primeira contra a doença aprovada no mundo. A agência havia concedido o registro em abril de 2025, mas a produção estava restrita às fábricas da Valneva, na Europa. Agora, o Butantan passa a ser reconhecido oficialmente como local de fabricação.

Trata-se do mesmo imunizante, com os mesmos padrões de qualidade, segurança e eficácia. Por ser uma instituição pública, o Butantan poderá oferecer o produto a um custo menor, o que favorece a incorporação ao SUS. A vacina é indicada para pessoas entre 18 e 59 anos e é contraindicada para gestantes, imunodeficientes e imunossuprimidos, por ser composta por vírus atenuado.

Desde o registro pela Anvisa, o Ministério da Saúde encaminhou à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) o pedido de inclusão do imunizante na rede pública. A aprovação da produção nacional reforça esse processo. Caso a incorporação seja aprovada, a vacina será incluída no PNI (Programa Nacional de Imunizações) para adultos a partir dos 18 anos.

O ministério já iniciou um projeto-piloto em dez municípios de quatro estados. A vacinação começou em fevereiro em Mirassol, no interior de São Paulo, e também ocorre em cidades de Minas Gerais, Sergipe e Ceará. Cerca de 23 mil brasileiros já receberam a dose.

Os dados sobre eficácia do imunizante foram publicados na revista The Lancet em 2023. Segundo o estudo, 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes após a dose única, e os níveis de proteção se mantiveram por pelo menos seis meses. Os efeitos adversos relatados foram leves e moderados, como dor de cabeça, fadiga e febre.

A chikungunya é transmitida pela picada do Aedes aegypti, o mesmo mosquito que propaga a dengue. O vírus chegou ao Brasil em 2014 e hoje circula em todos os estados. Em março deste ano, um surto na maior reserva indígena urbana do país, em Dourados, no Mato Grosso do Sul, matou cinco pessoas e forçou o fechamento de escolas.

Só em 2025, a doença afetou cerca de 620 mil pessoas no mundo, segundo a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde). No Brasil, foram mais de 127 mil casos e 125 mortes, de acordo com o Ministério da Saúde. A doença pode evoluir em três fases: aguda, pós-aguda e crônica. Nesta última, os sintomas persistem por mais de 90 dias e incluem dores intensas nas articulações, que podem ser incapacitantes.

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