Vídeo: bebida com catarro? influenciadora carioca denuncia caso preconceituoso em restaurante de Salvador
Caso ocorreu no Casa de Miriam, localizado no Rio Vermelho, após cortejo de Iemanjá

Foto: Reprodução/Redes Sociais
A influenciadora carioca Bielle Elizabeth, de 32 anos, usou as redes sociais para denunciar um caso de preconceito que sofreu ao frequentar com amigos um restaurante em Salvador após o cortejo em celebração a Iemanjá na segunda-feira, 2 de fevereiro.
Em vídeo publicado nesta terça-feira (3), um dia após o ocorrido, ela relatou que compareceu junto com outros dois amigos ao restaurante Casa de Miriam, localizado no bairro do Rio Vermelho, e foi surpreendida após a dona Miriam Cafezeiro cuspir catarro em um copo de refrigerante que ela havia pedido para colocar gelo.
Antes de cuspir no copo, segundo Bielle, a dona do estabelecimento já havia faltado com respeito, dando pressa para que eles terminassem de consumir e entregassem a mesa, além de afirmar que não gostava de certos tipos de pessoa no local.
“A gente estava aqui consumindo e mal tinha terminado e eles começaram a reprimir a gente de todas as formas possíveis, inclusive jogando catarro [na bebida]. Quando estamos passando por uma situação preconceituosa, não percebemos os sinais que isso tem. Por exemplo, a preferência do cliente, o atendimento e, principalmente, o jeito de falar e os olhares. A gente não percebe, ainda mais quando a dona do estabelecimento é uma mulher preta”, desabafou.
Bielle ainda alertou para o fato de o restaurante aceitar pedidos por meio de aplicativos, afirmando que a conduta da dona gera preocupação.
“Aqui eles atendem iFood, então, se você falar um ‘a’ diferente e ela [dona do restaurante] se incomodar, a comida pode chegar na sua casa com cuspe. Vai saber… Para a pessoa fazer isso no ato, sem nem ter pedido a conta, ela já está acostumada a fazer isso”, disse.
Gatilhos
Emocionada, a influenciadora ainda chamou atenção para a importância de fomentar a discussão do racismo propagado por pessoas negras que não gostam de servir pessoas da mesma raça.
“Não falamos muito sobre pessoas pretas que não conseguem servir os seus semelhantes. Servir uma pessoa branca é tolerável, mas servir uma pessoa negra é inadmissível para certos tipos de pessoas pretas. Daí, elas reverberam a estrutura [de racismo] pior do que aquele que criou essa estrutura.”
Bielle disse ainda que o caso a engatilhou episódios de racismo sofridos na época da escola: “Fiquei catatônica. Foi impossível não revisitar as memórias da época de escola, onde eu levava escarrada na cara de pessoas que diziam que estavam fazendo isso comigo porque eu era preta e gorda. Foi impossível não gatilhar essas memórias”, lamentou.
Por fim, Bielle afirmou que já registrou o caso e que “todas as medidas cabíveis dentro da ala criminal” já estão sendo tomadas.
Após a polêmica, o perfil do restaurante foi desativado no Instagram. O Farol da Bahia entrou em contato com o estabelecimento pelo WhatsApp. A mensagem foi visualizada, mas sem resposta até a publicação desta matéria.
Confira o vídeo abaixo:


