Brasil chama embaixadores após ataques de Milei a autoridades
Vieira se reúne Júlio Bitelli a partir de quarta-feira (29)

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O governo brasileiro adotou duas medidas diplomáticas em resposta às declarações feitas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, durante uma passagem por São Paulo. O embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, foi convocado ao Itamaraty no domingo (26) para receber formalmente a manifestação de repúdio do Brasil.
Ao mesmo tempo, o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, foi chamado de volta ao país para consultas. A decisão costuma representar um nível mais elevado de insatisfação diplomática, já que o representante retorna à capital para discutir a relação bilateral e os próximos passos com o governo.
A reação ocorreu depois de Milei participar, no sábado (25), da convenção do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Em seu discurso, o argentino atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “lixo careca”.
Milei criticava a decisão que impediu uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O argentino comparou o caso com o período em que Lula esteve preso e recebeu a visita de dirigentes estrangeiros.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, Raimondi foi chamado para que o governo transmitisse a “repulsa” pelas declarações. O encontro contou com a presença do chanceler Mauro Vieira e de integrantes da equipe do ministério. O Itamaraty considerou as falas contra autoridades e instituições brasileiras inaceitáveis.
Júlio Bitelli deve se reunir com Mauro Vieira a partir de quarta-feira (29). O chanceler acompanha nesta segunda-feira (27) a visita oficial do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, e viaja na terça-feira (28) ao Peru.
A convocação amplia o desgaste entre os governos brasileiro e argentino. Lula e Milei mantêm diferenças políticas e não realizaram reuniões bilaterais durante as visitas do argentino ao Brasil. Apesar da tensão, os dois países preservam uma relação econômica relevante e integram o Mercosul.


