Bruno Reis reconhece má qualidade do transporte público em apresentação de novos ônibus
Prefeito cobrou ajuda do governo federal para manter sistema

Foto: Gilberto Júnior / Farol da Bahia
O prefeito da capital baiana, Bruno Reis (DEM), apresentou na manhã desta terça-feira (5), em evento no Centro de Convenções, os novos ônibus com ar-condicionado que fazem parte da renovação da frota de transporte na capital. No total, foram entregues 70 ônibus. Ainda são esperados, no entanto, outros veículos que serão entregues, segundo o prefeito, somente no mês de outubro. Na ocasião, Bruno Reis afirmou que a capital baiana contará com 169 novos coletivos ainda neste ano.
De acordo com a Prefeitura, desse total, 40 ônibus serão operados pela empresa OTTrans e os outros 30 pela Plataforma. Os veículos atenderão, principalmente, a região da Orla de Salvador. Bruno Reis explicou, ainda, que essa região da cidade foi beneficiada porque ela era atendida anteriormente pela Concessionária Salvador Norte (CSN), que entrou em crise e encerrou a operação.
"Precisávamos oferecer aos moradores dessa área da cidade que foram os mais penalizados pela crise da CSN a renovação da frota. Hoje, estamos entregando 70 veículos de um total de 169 que chegarão todos no mês de outubro, todos com ar-condicionado. Isso irá corresponder a 10% da nossa frota de ônibus. Somado ao que já tínhamos, vamos chegar a 37% da nossa frota de ônibus com ar-condicionado", disse o prefeito.
Má qualidade
Durante o evento, o prefeito reconheceu a má qualidade do transporte público de Salvador. Ele disse que a tarifa é cara, mas alegou que não é suficiente para manter a operação. Bruno Reis, no entanto, reforçou que os passageiros de Salvador são beneficiados no quesito de poder realizar a integração entre os modais pagando uma única passagem. De forma direta, ele pediu que os órgãos federais ajudassem as prefeituras do Brasil a manter o sistema de transporte público.
"Salvador nunca tinha colocado um real no transporte público. Hoje, a tarifa não remunera mais o sistema. O usuário paga uma tarifa elevada de R$ 4,40, por um sistema que não é de boa qualidade, e isso é reconhecido. Porém, esse valor não mantém o sistema de pé. É uma operação mais cara do que o metrô. As prefeituras não têm condição de assumir essa conta", ressaltou.
O prefeito da capital baiana afirmou que apenas este ano já se reuniu com o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), com o ministro da Economia, Paulo Guedes, com o presidente da Câmara, Arthur Lira e com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, "para cobrar um socorro no desequilíbrio da pandemia".
De acordo com Bruno Reis, não houve reduções de impostos que impedissem o aumento do custeio do sistema. Para ele, o governo federal deveria auxiliar as cidades. "A prefeitura de Salvador, sem ter condições de subsidiar o transporte público, gastou em 2020 e 2021, R$ 206 milhões. Dava para construir dois centros de convenções, ou mais dois novos hospitais. Em vários países, o governo dá um estímulo ao transporte público e aqui no Brasil, infelizmente, não temos essa cultura", afirmou.


