Calendário de Luxo, Logística de Miséria

Por Da Redação
Às

Atualizado
Calendário de Luxo, Logística de Miséria

Foto: Farol da Bahia

Se fossemos levar a sério a leitura sobre "atraso na entrega do material escolar" do prefeito Bruno Reis, o calendário de eventos para 2026/2027 passaria por mudanças estratégicas — sugeridas por ele, naturalmente — para que soteropolitanos e turistas se organizem e "aproveitem ao máximo" todas as resenhas festivas da cidade. O empenho em planejar a diversão é admirável; o problema é que a mesma agilidade não se aplica ao material escolar...

​O ano letivo das crianças soteropolitanas começou com um atraso injustificável em 16 de março, por causa de uma greve que poderia ter sido evitada ou, ao menos, minorada se houvesse diálogo em vez de palanque.

Já estamos em maio e os alunos da rede municipal continuam sem uniformes e kits escolares. A justificativa oficial? Uma falha de "logística". Segundo o prefeito, está "tudo pronto", mas o volume de unidades teria superado a capacidade de entrega. Ou seja: a prefeitura de uma metrópole descobriu apenas agora que Salvador não tem capacidade de gestão para agilizar entrega de material básico em muitas escolas!

​Se a Secretaria de Educação não possui competência operacional para entregar cadernos e fardas no prazo correto, é natural deduzir que essa paralisia se estenda a outras pastas. Afinal, se o tempo das crianças é relativo e pode ser adiado por meses, por que o rigor com o calendário de festas seria diferente?
Seguindo a lógica da atual gestão, este colunista propõe uma adequação realista dos eventos da cidade à "eficiência" demonstrada na educação. Se as crianças podem esperar dois meses pelo básico, o entretenimento também pode e o resumo das festas ficaria assim:

  •  São João: Agosto (tempo suficiente para conferir, com calma, os cachês milionários das estrelas);
  • Natal Soteropolitano: Fevereiro (entrega da caríssima iluminação. Sujeita, logicamente, aos imprevistos da logística);
  • Festival da Virada: Março (celebrando o ano novo junto com o início das aulas, com o público lá no fundo da festa sabendo que a prefeitura gastou rios de dinheiro com as atrações e curtindo de longe, o mesmo atraso de quem espera o kit escolar);
  • Carnaval: Maio (com certeza, até lá, a prefeitura  libera os camarotes "dozamigos" e assina o alvará da famigerada "Passarela do Apartheid").

​É urgente reorganizar o cronograma de tudo que é menos importante do que a formação dos pequenos cidadãos. Se a educação não tem prioridade nem previsão, que o "Prefeito BrunoFest" decrete que a folia também espere a boa vontade da logística municipal! Quero ver uma festa dessas citadas atrasar "meia hora" que seja, "por problemas técnicos" e o prefeito mais "festeiro" do Brasil manter essa paz de espírito...

​No fim das contas, o que não desce é ver o Carnaval e os "Festivais" com datas sagradas no calendário enquanto o futuro das crianças de Salvador vive à espera de uma "entrega programada" que, no passo que vai, só chegará no Dia de São Nunca...Único dia, aliás, que o prefeito Bruno Majestade não vai fazer "fexta".

Mas só porque Salvador, sendo classificada como uma das piores cidades do pais para se viver, com os piores índices de educação infantil do Brasil, se continuar neste ritmo de descaso com o futuro das crianças, daqui alguns anos realmente não vai ter nada para comemorar.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:[email protected]
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário