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Califórnia vota proposta de imposto sobre bilionários para financiar saúde

Proposição prevê cobrança única de 5% sobre o patrimônio de moradores com fortuna superior a US$ 1 bilhão

Por Da Redação
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Califórnia vota proposta de imposto sobre bilionários para financiar saúde

Foto: Reprodução/Meta | Wikipédia

Eleitores da Califórnia, nos Estados Unidos, devem decidir se bilionários residentes no estado pagarão um imposto extraordinário sobre suas fortunas para financiar melhorias no sistema de saúde. A Proposição 40 prevê uma cobrança única de 5% sobre o patrimônio líquido de pessoas com mais de US$ 1 bilhão, incluindo nomes como Mark Zuckerberg, Oprah Winfrey, Kim Kardashian e George Lucas.

A iniciativa pretende arrecadar cerca de US$ 100 bilhões para compensar cortes no financiamento federal da saúde. A proposta, porém, divide lideranças políticas e empresários, além de ter levado alguns bilionários a transferir sua residência para outros estados.

A Califórnia tem a maior economia entre os estados americanos e concentra mais de 200 bilionários. Ao mesmo tempo, enfrenta altos índices de desigualdade econômica e tem a maior proporção de pessoas em situação de rua dos Estados Unidos.

Imposto divide políticos e empresários

Os defensores da proposta afirmam que a cobrança faria com que os mais ricos contribuíssem mais para o financiamento de serviços públicos. Suzanne Jimenez, do Sindicato Internacional dos Empregados em Serviços — Trabalhadores da Saúde Unidos do Oeste (SEIU-UHW), que ajudou a liderar a campanha, considera a medida uma resposta emergencial aos cortes federais previstos para o setor.

“Se não fizermos nada, veremos nosso sistema de saúde entrar em colapso enquanto buscamos uma solução de longo prazo para financiá-lo”, afirmou à BBC.

Entre os apoiadores estão o empresário Tom Steyer e Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia. O senador Bernie Sanders também fez campanha pela iniciativa, argumentando que a concentração de riqueza representa um desafio político e econômico.

A oposição inclui o governador da Califórnia, Gavin Newsom, que teme que a tributação incentive a saída de bilionários e reduza a arrecadação estadual proveniente do imposto de renda. Sergey Brin, cofundador do Google, doou mais de US$ 100 milhões a uma organização política que financia iniciativas contrárias ao imposto, segundo o Los Angeles Times.

Uma pesquisa realizada em setembro pelo Instituto de Estudos Governamentais da Universidade da Califórnia em Berkeley e pelo Los Angeles Times mostrou que 45% dos eleitores com maior probabilidade de votar apoiavam a proposta, 42% eram contrários e 13% estavam indecisos.

Bilionários deixam o estado

A possibilidade de cobrança já provocou mudanças entre alguns dos moradores mais ricos da Califórnia. Entre os nomes apontados como tendo deixado o estado antes de 1º de janeiro de 2026 estão Larry Page e Sergey Brin, cofundadores do Google, o investidor Peter Thiel, o ex-CEO da Uber Travis Kalanick e Don Hankey, fundador do Hankey Group.

Hankey afirmou à revista Forbes que se mudou para Nevada por causa da proposta. Segundo ele, suas empresas empregam milhares de pessoas na Califórnia, e a medida o fez sentir que não era bem-vindo.

Mark Zuckerberg também teria considerado transferir sua residência principal para fora do estado. A Meta, empresa da qual é presidente-executivo, aprovou um novo acordo de remuneração em ações que amplia sua participação na companhia. Estimativas citadas na reportagem indicam que o imposto poderia custar até US$ 12,5 bilhões ao bilionário.

Andy Fang, cofundador da DoorDash, também criticou a iniciativa e afirmou na rede social X que a proposta o leva a considerar deixar a Califórnia.

Debate sobre efeitos econômicos

Os críticos do imposto argumentam que tributar o patrimônio pode desestimular investimentos, estimular a saída de capitais e gerar dificuldades administrativas. Kristian Niemietz, chefe de economia política do Instituto de Assuntos Econômicos, afirma que experiências internacionais apontam obstáculos para esse tipo de cobrança.

Na Noruega, segundo levantamento de um veículo de notícias local citado pela BBC, mais pessoas muito ricas deixaram o país em 2022 do que nos 13 anos anteriores somados. Um estudo sobre a Suíça concluiu que um aumento de 0,1 ponto percentual na alíquota do imposto sobre o patrimônio reduziu em 3,5% o patrimônio tributável.

A proposta da Califórnia prevê aplicação retroativa a pessoas com patrimônio líquido de pelo menos US$ 1 bilhão que residiam no estado em 1º de janeiro de 2026. Para entrar em vigor, a medida precisa ser aprovada pela maioria dos eleitores.

O debate ocorre em um cenário de forte concentração de riqueza nos Estados Unidos. No terceiro trimestre de 2025, o 1% mais rico das famílias detinha quase 32% do patrimônio nacional. Na Califórnia, pesquisa do Instituto de Políticas Públicas do estado apontou que 72% dos entrevistados acreditavam que a distância entre ricos e pobres estava aumentando, e proporção semelhante defendia maior atuação do governo para reduzir a desigualdade.

Além da Califórnia, o estado de Washington também discute uma proposta tributária voltada aos mais ricos, com alíquota de 9,9% sobre rendimentos anuais superiores a US$ 1 milhão.

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