Campeão Olímpico, Ricardo Santos volta a Salvador e compartilha experiência em clínica de vôlei de praia
Após três anos longe da capital baiana, campeão olímpico retorna à cidade natal para evento em parceria com a Federação Baiana de Voleibol e a Orla Brasil, voltado a treinadores e atletas.

Foto: Samara Figueiredo / Farol da Bahia
Um dos maiores nomes da história do vôlei de praia brasileiro, Ricardo Santos voltou a Salvador para comandar uma clínica da modalidade na Orla de Pituaçu, nesta quarta-feira (7). A atividade é promovida com a parceria da Federação Baiana de Voleibol (FBV), em conjunto com a Orla Brasil, e reúne treinadores e atletas convidados em um dia dedicado ao desenvolvimento técnico e à troca de experiências.
O retorno à capital baiana tem um significado especial para o campeão olímpico, que iniciou a carreira esportiva nas areias de Salvador e se apresentou em 2024. “Aqui foi todo o início da minha vida como atleta. Por aqui eu tive passagens e momentos muito marcantes, né? Com técnicos, a minha mudança do vôlei de quadra, meu início no vôlei de quadra, depois minha participação e o início dessa projeção dentro do vôlei de areia. Então, voltar a Salvador é sempre muito especial, não só pelo esporte, mas também pela minha família, né?”, destacou Ricardo.
A clínica tem como principal objetivo compartilhar a vivência acumulada ao longo de décadas de carreira, tanto como atleta de alto rendimento quanto na atual função de treinador, da seleção masculina de vôlei de praia do México. “O principal objetivo é passar toda a minha vivência que eu tive tanto como atleta como treinador. A transição, a visão de como era um atleta e agora como um técnico”, explicou.
Segundo Ricardo, a preparação para atuar fora das quadras exige tanto esforço quanto a rotina competitiva. “A vida de treinador também não é fácil, ela é tão desgastante e você precisa também de uma preparação qualificada para poder você transmitir para esses jovens ou futuros atletas ou atletas profissionais, tudo aquilo que você teve dentro de quadra também”, completou.
Ao falar sobre formação esportiva, o campeão olímpico ressaltou a importância da base e do trabalho bem orientado desde os primeiros passos no esporte. “A base é muito importante. Ter um profissional capacitado que possa dentro das suas qualificações passar as ações corretas, né? Porque a base ela influencia muito no seu auto rendimento”, alertou.
As lições acumuladas ao longo de parcerias históricas e grandes conquistas também fazem parte do conteúdo compartilhado na clínica. Para Ricardo, a resiliência foi um dos principais aprendizados da carreira. “É acreditar naquilo que você busca dentro da sua profissão, né? Como eu escolhi ser atleta, eu tentei me qualificar a todo momento. Sempre eu tive a sorte de ter grandes profissionais ao meu lado. Atletas que me ensinaram bastante”, afirmou.
Referência mundial na modalidade, o Brasil segue como potência no vôlei de praia, e Ricardo apontou o circuito nacional como um dos pilares desse protagonismo. “O grande diferencial do vôlei de praia brasileiro, foi o circuito competitivo que a gente sempre teve a nível nacional. A gente sempre teve um circuito com muitas etapas, com muitos atletas promissores e acredito que isso foi o ponto forte que nós, atletas, tivemos durante os quatro primeiros ciclos olímpicos”, avaliou.
Ao deixar uma mensagem para os jovens que sonham em seguir carreira no esporte, o ex-atleta foi direto: “Primeiro, tem que amar o que faz. Porque a vida de atleta não são só flores, não só são as vitórias, as conquistas, mas o dia a dia. Você vai ter dias difíceis, dias que marcam assim a vida de um atleta também pelo lado negativo, que isso faz parte, mas você sabe superar. Então, ame o que você faz, faça com prazer, quando você tiver dentro de quadra, tente ser o melhor possível naquele momento”.
Ricardo também agradeceu o apoio da Federação Baiana de Voleibol e da Orla Brasil na realização da clínica, que, segundo ele, superou as expectativas de participação. "Foi um projeto que foi feito assim de última hora, foi uma ideia que surgiu assim com pouco tempo, mas eles estão dando toda a qualidade necessária para que o evento possa acontecer da melhor forma possível. O evento já é grandioso por si, pela intensidade que tá sendo doado por essas entidades que estão acreditando nesse projeto e as pessoas que se inscreveram, tivemos que limitar o número de técnicos e atletas, porque foi uma coisa que era para ser pequena e acabou de última hora se tornando muito grande. Mas eu espero que vamos ter ainda futuras clínicas nesse segmento e que a gente possa dar também a oportunidade para quem não pode estar presente nessa primeira”, concluiu.
Relembre a carreira do campeão soteropolitano:
Conforme a Comitê Olímpico do Brasil, Ricardo começou a jogar vôlei de praia em 1994, em Salvador. Anos depois, mudou-se para João Pessoa, quando passou a treinar com Zé Marco. A dupla conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos Sydney 2000. Formou, depois, parceria com Emanuel formando uma das mais vitoriosas duplas do mundo. Nos Jogos Olímpicos, conquistaram ouro em Atenas 2004 e prata em Pequim 2008. Quando a dupla terminou, passou a jogar ao lado de Pedro Cunha e ficou fora do pódio em Londres 2012. Melhor jogador do mundo em 2005 e 2007, Ricardo tem o apelido de “Block Machine” (em português, máquina de bloqueio). Depois de se aposentar, Ricardo passou a atuar como treinador da modalidade.
Títulos conquistados por Ricardo:
JOGOS OLÍMPICOS:
Ouro – Atenas 2004
Prata – Sydney 2000
Bronze – Pequim 2008
CAMPEONATOS MUNDIAIS:
Ouro – Rio de Janeiro 2003
Prata – Klagenfurt 2001
Prata – Roma 2011
Prata – Stare Jabłonki 2013
CIRCUITO MUNDIAL DE VÔLEI DE PRAIA:
Ouro – Temporada 2000
Ouro – Temporada 2003
Ouro – Temporada 2004
Ouro – Temporada 2005
Ouro – Temporada 2006
Ouro – Temporada 2007
JOGOS PAN-AMERICANOS:
Ouro – Rio de Janeiro 2007


