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CinemanoFarol: Audiovisual brasileiro entra em clima de Copa do Mundo e mira novo Oscar

Com 'O Agente Secreto' em alta, crítica Amanda Aouad aponta força da campanha, peso de Wagner Moura e um momento do audiovisual nacional

Por Uéditon Teixeira
Às

Atualizado
CinemanoFarol: Audiovisual brasileiro entra em clima de Copa do Mundo e mira novo Oscar

Foto: Divulgação

O cinema brasileiro vive um daqueles momentos em que a expectativa extrapola o circuito especializado e vira assunto de torcida nacional. Após o impacto de Ainda Estou Aqui na temporada passada, o país volta a ganhar projeção internacional com O Agente Secreto, longa de Kleber Mendonça Filho que cresce nas apostas para o Oscar 2026.

Para a crítica de cinema associada à Abraccine e doutora em comunicação e cultura, Amanda Aouad, entrevistada do Cinema no Farol (confira a entrevista em vídeo abaixo), o cenário atual lembra um campeonato mundial. Embora o cinema brasileiro sempre tenha oscilado entre altos e baixos, a sequência recente de reconhecimentos internacionais não é comum. “O Brasil sempre teve um cinema forte, mas agora existe uma constância. Não é um filme isolado. É um movimento.”



Repordução/instagram 

Depois de Ainda Estou Aqui abrir caminho, O Agente Secreto começou sua trajetória com força já no Festival de Cannes, onde venceu prêmios de direção e atuação. Desde então, o filme manteve uma presença constante em premiações e listas internacionais, enquanto concorrentes diretos perderam fôlego.

“O filme começa muito bem em Cannes e, diferente de outros, não esfriou. Tem produções que largam como favoritas e vão caindo ao longo da temporada. O Agente Secreto fez o caminho inverso: só cresceu”, explica.

Ela cita como exemplo o vencedor da Palma de Ouro, Foi Apenas Um Acidente, que chegou a despontar como favorito em categorias internacionais, mas acabou perdendo espaço no noticiário especializado. “Hoje, você quase não vê mais a imprensa falando dele. Já O Agente Secreto segue sendo comentado, defendido, lembrado.”

Cannes não é Oscar, mas projeta

 


 

Amanda pondera que, historicamente, Cannes e Oscar sempre funcionaram em lógicas distintas. “Cannes é mais arte, mais autoral. O Oscar é indústria”, explica. Segundo ela, durante décadas, ganhar a Palma de Ouro não significava nada em Hollywood. “Isso começa a mudar depois de Parasita. Ali se quebrou um tabu. A partir dali, Cannes virou também um termômetro”, exemplifica.

Nesse contexto, O Agente Secreto se encaixa melhor no gosto da Academia. “Ele tem uma cara de cinema que o americano gosta: diversão, gênero, referências. Não é um filme hermético”, avalia.

Outro ponto central da campanha, segundo a crítica, é o protagonismo de Wagner Moura. Diferente de outros talentos brasileiros que chegam ao Oscar como novidade, ele já é um rosto conhecido da indústria. “O Wagner não é um desconhecido. Ele já está inserido em Hollywood, fez séries, filmes, tem nome e isso muda tudo. Não é ‘quem é esse ator?’. É ‘ah, aquele cara’”, afirma.

Para ela, a vitória de Wagner em Cannes como melhor ator reforçou ainda mais esse capital simbólico. “Isso chama atenção. Cria curiosidade, cria lobby, cria conversa.” “O votante muitas vezes não vê todos os filmes. E quando o filme é falado em outra língua, com legenda, a resistência é maior. Então você precisa aparecer. Precisa ganhar prêmio, sair em matéria, virar assunto”, explica a crítica.

Segundo ela, a repetição do nome funciona como validação. “A pessoa pensa: ‘se todo mundo está falando, deve ser bom. Se eu votar, não estou passando vergonha’”, afirma.

Brasil no topo

Na análise da crítica, O Agente Secreto tem chances reais de avançar além da categoria de filme internacional. “A indicação de Wagner Moura é muito possível. Seria uma surpresa ele ficar fora”, aposta. Ela também não descarta o longa entre os indicados a melhor filme. “Pode acontecer, como aconteceu com Ainda Estou Aqui. Não é impossível.” Ganhar, no entanto, é outra história.

“O Oscar também é loteria. Tem humor do votante, tem política, tem aquela coisa de ‘já premiamos esse país no ano passado’”, pondera.

Para Aouad, o destaque atual é reflexo de uma produção nacional mais madura e diversa. “A gente teve muitos filmes muito bons nos últimos anos, mesmo que nem todos tenham tido essa visibilidade.” Ela destaca a potência de títulos recentes como Baby, Manas e Motel Destino, que circularam bem em festivais e reforçaram a imagem do Brasil no exterior.

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