CNJ identifica tentativa de fraude para emitir mandados contra Lula e Moraes
Alteração irregular no BNMP envolveu troca de dados, mas não resultou na expedição de ordens de prisão

Foto: Ricardo Stuckert/PR
O Conselho Nacional de Justiça identificou uma tentativa de fraude no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões que teve como objetivo a emissão de mandados de prisão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, segundo informações da CNN.
De acordo com fontes, houve uma alteração irregular no sistema, com a substituição de dados de um mandado judicial por informações associadas às autoridades. Entre as mudanças, foram trocados os CPFs de Lula e de Moraes. A tentativa, no entanto, não resultou na emissão de mandados falsos.
Em nota enviada à imprensa, o CNJ confirmou a alteração indevida no BNMP, sem divulgar a identidade dos alvos. “A apuração da Divisão de Segurança da Informação do Conselho indicou que as ações foram realizadas por meio de credenciais de acesso comprometidas, pertencentes a usuários de tribunais, em decorrência de roubo de credenciais, utilizadas de forma indevida no sistema”, informou o órgão.
O conselho afirmou ainda que não houve invasão ou comprometimento de seus sistemas. “A alteração não resultou na expedição de mandados contra as autoridades mencionadas. O incidente foi identificado, tratado e os dados foram devidamente corrigidos”, diz a nota.
O CNJ já havia sido alvo de ataque anteriormente, quando o hacker Walter Delgatti inseriu documentos e alvarás de soltura falsos no sistema e, segundo a investigação, emitiu um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes a mando da então deputada federal Carla Zambelli.
Posteriormente, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Carla Zambelli, por unanimidade, a dez anos de prisão por invasão dos sistemas do CNJ e inserção de documentos falsos. Walter Delgatti também foi condenado e cumpre pena pelo mesmo crime.
Nota na íntegra:
O Conselho Nacional de Justiça identificou alteração indevida em dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). A alteração consistiu na substituição indevida de dados vinculados a um mandado judicial por dados associados a autoridades brasileiras.
A apuração da Divisão de Segurança da Informação do Conselho indicou que as ações foram realizadas por meio de credenciais de acesso comprometidas, pertencentes a usuários de tribunais, em decorrência de roubo de credenciais, utilizadas de forma indevida no sistema. Não houve invasão, violação ou comprometimento dos sistemas do CNJ. A alteração não resultou na expedição de mandados contra as autoridades mencionadas. O incidente foi identificado, tratado e os dados foram devidamente corrigidos.


