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Coletivo baiano leva espetáculo “Barro Mulher - Um Mergulho na Lama da Criação” à Portugal e articula festival internacional para 2027!

Núcleo Rosas Negras de Criação Cênica promove intercâmbio artístico e pedagógico em três cidades portuguesas e abre caminhos para ampliar presença de artistas baianos na Europa.

Por Michel Telles
Às

Coletivo baiano leva espetáculo “Barro Mulher - Um Mergulho na Lama da Criação” à Portugal e articula festival internacional para 2027!

Foto: Victor Rattes

O Núcleo Rosas Negras de Criação Cênica (@nucleo.rosasnegras) realiza o projeto “Barro Mulher – Poéticas da Travessia | Conexão Portugal 2026”, que promove uma circulação internacional de intercâmbio artístico, cultural e pedagógico, entre Salvador e Portugal, de 4 a 24 de novembro. 

A iniciativa reúne apresentações do espetáculo Barro Mulher – Um Mergulho na Lama da Criação, criado, dirigido e protagonizado pela atriz baiana Fabíola Nansurê (@nansureatriz), além de oficinas, laboratórios cênicos, rodas de conversa e ações de intercâmbio artístico e institucional. A programação acontece nas cidades de Lisboa, Bragança e Reguengos de Monsaraz, ampliando a presença da produção cênica negra baiana em espaços de criação, formação e cooperação cultural.

Realizado pelo Núcleo Rosas Negras, coletivo baiano dedicado à pesquisa, criação e difusão de poéticas negras nas artes cênicas, o projeto estabelece conexões entre artistas, estudantes, pesquisadores, instituições e comunidades afrodescendentes brasileiras e portuguesas. A iniciativa articula teatro, dança, música, performance e ancestralidade afro-brasileira, tendo como eixo a valorização das experiências, memórias e estéticas produzidas por corpos negros. 

Essa é a segunda circulação internacional realizada pelo coletivo, que em 2024 levou o premiado espetáculo "Rosas Negras” para uma temporada em quatro cidades de Portugal. Antes da partida à Portugal o núcleo  realiza uma apresentação do espetáculo Barro Mulher  no Ilê Axé Oyá Ladê Inan, em Alagoinhas, espaço de fortalecimento, criação e fruição do coletivo. 

Para Fabíola Nansurê, diretora, dramaturga, preparadora corporal, coreógrafa e atriz, estar em cena com Barro Mulher também representa uma forma de conexão com a ancestralidade.

“Cada vez que eu estou em cena com o espetáculo, é a oportunidade que eu tenho de reverenciar a minha ancestralidade feminina negra, as Iabás, todo o meu povo que veio antes de mim.” 

Em Lisboa, nos dias 6 e 7 de novembro, o Núcleo Rosas Negras participa da PT-BR–Mostra de Teatro do Brasil no Chapitô – 3ª Edição, com duas  apresentações de Barro Mulher. O coletivo é o único grupo baiano a participar dessa mostra, que é famosa por aproximar artistas e agentes da cena brasileira e portuguesa.

Em Bragança, o projeto realiza ações de intercâmbio acadêmico e institucional com o Instituto Politécnico de Bragança. Já em Reguengos de Monsaraz, em parceria com o Ilé Àṣẹ Ìgbà Mérìndínlógún Òsùn, a programação reúne duas apresentações do espetáculo e atividades formativas. Entre elas estão os laboratórios “Produção Artística Negra: Criação, Gestão e Internacionalização Cultural”, ministrado por OMINJARÊ; “Corpo-Água: Poéticas do Corpo Negro na Criação Cênica”, conduzido por Fabíola Nansurê; e “Pintando Sentimentos – A Luz EmCena”, ministrado por Nando Zâmbia. O encontro também contará com rodas de conversa e momentos de partilha cultural com artistas, pesquisadores e a comunidade afrodescendente local. 

Para Ominjarê, diretor de produção do Núcleo Rosas Negras, a circulação representa um passo importante para ampliar os espaços de apresentação do trabalho desenvolvido na Bahia e fortalecer a trajetória do coletivo.

“É muito importante levarmos esse teatro que a gente produz, concebe e apresenta aqui na Bahia a outros espaços, afinal, trata-se da poética do teatro preto, de candomblé. Esse projeto também marca uma virada muito importante no nosso formato de produção, que é uma retomada na abertura de portas da cena baiana em Portugal”.

A presença do coletivo baiano na Europa também busca criar uma rede permanente de cooperação cultural entre Bahia e Portugal, propondo projetos para circulação de artistas e grupos baianos. A programação institucional prevê reuniões entre o Núcleo Rosas Negras, a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança, a Câmara Municipal de Bragança e o Teatro Municipal de Bragança para a articulação do Festival Internacional A Cena Baiana em Portugal, previsto para 2027. 

O projeto “Barro Mulher – Poéticas da Travessia | Conexão Portugal 2026” tem apoio financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda e foi contemplado pelo edital Salvador Circula, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), Ministério da Cultura, Governo Federal.

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