Comissão do Senado alerta para impactos da tarifa dos EUA, mas vê cenário menos prejudicial
CRE avalia que ampliação da lista de exceções reduziu impactos iniciais

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
A manutenção de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos preocupa a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Em nota divulgada nesta quinta-feira (16), o colegiado alertou para possíveis efeitos da medida sobre empresas, empregos e cadeias produtivas do país.
Entre os segmentos que continuam alcançados pela cobrança estão os de máquinas agrícolas, vestuário, calçados, papel, aço, equipamentos utilizados na mineração e outros produtos manufaturados.
Apesar da preocupação, a comissão considera que o resultado foi menos prejudicial do que o previsto no início das discussões. Isso porque o governo americano ampliou o número de mercadorias excluídas da tarifa.
Ferro-gusa, alguns tipos de couro e produtos de madeira, mel orgânico e café instantâneo estão entre os itens que passaram a integrar a lista de exceções.
Para a CRE, presidida pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), a retirada de novos produtos da cobrança mostra que a articulação diplomática e a atuação dos setores econômicos tiveram efeito durante as negociações.
O colegiado também destacou que a decisão anunciada pelos Estados Unidos não impede a continuidade das conversas. Como as medidas ainda poderão ser revistas, os senadores defendem que o diálogo permaneça como principal caminho para ampliar as exceções e reduzir os prejuízos ao Brasil.
A comissão afirmou que tem mantido contato com parlamentares dos Estados Unidos, autoridades americanas e representantes de empresas brasileiras desde o início do impasse comercial.
O Senado também citou a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada em 2025, como um dos mecanismos disponíveis para uma eventual resposta do Brasil. O instrumento permite a adoção de medidas contra países que imponham barreiras comerciais aos produtos brasileiros.
Segundo a CRE, no entanto, qualquer reação deverá ser avaliada com cautela, considerando os efeitos sobre a economia nacional e o risco de dificultar novas rodadas de negociação.
A comissão informou que seguirá trabalhando para proteger os setores atingidos, aumentar o número de produtos fora da tarifa e evitar o agravamento da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.


