Congresso Nacional se prepara para delação premiada de Daniel Vorcaro

Parlamentares avaliam que Vorcaro mantinha “infiltração” em diversas esferas do poder

Por Da Redação
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Congresso Nacional se prepara para delação premiada de Daniel Vorcaro

Foto: Reprodução/RedesSociais

As expectativas em torno de uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cresceram no Congresso Nacional. As mudanças na equipe jurídica do banqueiro e as conversas do novo advogado, José Luís Oliveira Lima, com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e com a Polícia Federal, contribuíram para intensificar esse cenário. 

Além dos inquéritos na PF, o banqueiro passou a ser alvo de apurações na Comissão Parlamentar de Mista Inquérito (CPMI) do INSS e na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado. Os parlamentares  desses colegiados, com acesso a dados obtidos por quebras de sigilo, avaliam que Vorcaro mantinha “infiltração” em diversas esferas do poder.

Um desses parlamentares, que analisou uma nova leva de arquivos, mantida em uma sala-cofre e recebida pela CPMI, relatou a existência de registros de documentos e decisões judiciais de interesse do Banco Master que ele aponta como sigilosos. Outros deputados e senadores afirmam que o banqueiro mantinha uma ampla rede de contatos, incluindo ministros do STF e outras autoridades. 

Sala-Cofre 

O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG) anunciou no dia 12 de março que recebeu a quebra de sigilo telemático de Vorcaro. Eram mais de 400 GB de materiais obtidos da Apple que seriam armazenados em uma sala-cofre. Para a acelerar, a CPMI decidiu liberar o acesso a parlamentares e assessores, ao material bruto a partir de sexta-feira (13/03). 

A sala continuou aberta no sábado e no domingo, datas em que foram acessados a lista de contatos, documentos e conversas do banqueiro. Já na segunda-feira, Mendonça decidiu encerrar o acesso aos dados do banqueiro por vazamentos. A PF passou a terça-feira (17/3) recolhendo os materiais.

Dentro do Congresso, o possível vínculo do empresário com autoridades tem gerado temor e apreensão quanto à extensão de uma eventual delação. Na última semana, durante visitas à sala-cofre da CPMI, parlamentares, tanto da base governista quanto da oposição, tentaram afastar qualquer associação dos grupos aos esquemas investigados. 

Mesmo sob tensão, um líder da Câmara, sob reserva, defendeu que Vorcaro firme um acordo de delação para dissipar o "ar pesado" no Congresso. Segundo ele, as suspeitas de envolvimento de autoridades prejudicam a imagem institucional e alimentam a desconfiança às vésperas das eleições. No entanto, um parlamentar do Centrão avalia que a delação pode "tumultuar" o funcionamento da Casa e alcançar colegas. 

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