Congresso paraguaio emite nota de repúdio por fala de Lula sobre guerra no país
Nota afirma que fala "distorce e minimiza" o conflito

Foto: Ricardo Stuckert / PR
A Câmara dos Deputados do Paraguai emitiu, na última quarta (29), uma nota de repúdio após fala do presidente Lula (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança. O comunicado afirma que as declarações do gestor "distorcem e minimizam" o conflito.
No último dia 24 de julho, durante agenda em São Paulo, Lula mencionou o conflito, que aconteceu entre 1864 e 1870. Na ocasião, o petista afirmou que "o Paraguai resolveu invadir o Brasil".
"A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos", disse Lula.
A guerra é considerada o maior conflito armado da América do Sul, e teve início após uma série de fatores. A intervenção militar do Brasil no Uruguai foi considerada o estopim, 1864. Na época, o líder paraguaio declarou guerra contra o Brasil.
No ano seguinte, Brasil, Argentina e Uruguai formaram a Tríplice Aliança contra o Paraguai, que terminou perdendo parte do seu território, e sofreu uma grave crise demográfica. Até hoje, o país sofre consequências do conflito.
O congresso paraguaio afirmou que, ao atribuir a culpa da guerra a eles, Lula provoca "rejeição por parte de diversos setores da sociedade".
O órgão afirmou que o petista "desconhece a complexidade dos antecedentes do conflito, o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio".
"A Câmara insta que os acontecimentos históricos que marcaram profundamente os nossos povos sejam abordados com sensibilidade, respeito e responsabilidade, e com um espírito de reconciliação, honrando a verdade, a memória das vítimas e os princípios do direito internacional contemporâneo", diz.


