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Copa do Mundo movimenta atletas, torcedores e revela o jogo emocional por trás da paixão pelo futebol!

Aos detalhes...

Por Michel Telles
Às

Copa do Mundo movimenta atletas, torcedores e revela o jogo emocional por trás da paixão pelo futebol!

Foto: Redes Sociais

Com a bola já rolando na Copa do Mundo de 2026, milhões de pessoas acompanham não apenas os resultados dentro de campo, mas também uma verdadeira montanha-russa emocional fora dele. A cada partida, alegria, tensão, esperança, frustração e sensação de pertencimento tomam conta de torcedores ao redor do mundo.

Enquanto a atenção se volta para os confrontos, especialistas observam outro fenômeno que costuma ganhar força durante grandes competições esportivas: a intensidade emocional despertada pelo esporte e sua relação com a forma como cada pessoa lida com desafios, expectativas e relações humanas.

Para a biomédica, neurocientista, especialista em trauma e analista emocional, Telma Abrahão, o que muitas pessoas sentem diante de uma partida decisiva pode revelar muito mais do que apenas paixão pelo futebol. “Eventos esportivos de grande porte funcionam como catalisadores emocionais. Eles despertam memórias, criam expectativas e mobilizam experiências que muitas vezes já estavam presentes dentro de cada pessoa. O jogo acaba sendo apenas o gatilho para emoções mais profundas”, explica.

Segundo a especialista, a própria dinâmica do esporte ajuda a compreender como funcionam os comportamentos humanos. “Quando vemos um atleta reagindo sob pressão, estamos vendo anos de treinamento moldando aquela resposta. Com o comportamento humano acontece algo parecido. Muitas das nossas reações emocionais também são automáticas, mas foram treinadas por experiências vividas, principalmente durante a infância”, afirma.

Autora de 15 livros e pioneira no Brasil na formação de Analistas Emocionais com foco em trauma, Telma explica que grande parte dos conflitos emocionais, dificuldades nos relacionamentos, procrastinação, autossabotagem, excesso de controle, medo de rejeição e padrões repetitivos podem estar ligados a estratégias de sobrevivência desenvolvidas pelo sistema nervoso em momentos de adversidade.

“Assim como uma seleção entra em campo com um padrão tático, cada pessoa entra na vida com padrões emocionais. O problema é que muitos desses padrões foram criados para sobreviver e não necessariamente para prosperar”, destaca.

A especialista explica que reações frequentemente interpretadas como defeitos de personalidade ou transtornos podem, em muitos casos, representar respostas adaptativas construídas ao longo da vida. “Muitas vezes, aquilo que é visto como um problema de comportamento é, na realidade, uma resposta de sobrevivência. Quando compreendemos a origem dessas reações, deixamos de olhar apenas para o sintoma e passamos a entender a história emocional que existe por trás dele”, afirma.

 

A Copa também favorece experiências coletivas raras em uma rotina cada vez mais individualizada. Reunir amigos, acompanhar partidas em família e compartilhar expectativas cria um senso de conexão que contribui para o bem-estar emocional. “Existe uma necessidade humana de pertencimento. Quando torcemos juntos, vibramos juntos ou até sofremos juntos, fortalecemos vínculos e nos sentimos parte de algo maior. Isso tem impacto direto sobre a nossa percepção de segurança emocional”, diz Telma.

Ao mesmo tempo, a especialista lembra que o excesso de identificação com resultados externos pode gerar sofrimento desproporcional. Por isso, momentos de grande mobilização coletiva também servem como oportunidade para observar a própria relação com expectativas, frustrações e controle. “Nem sempre é o resultado que nos afeta, mas o significado que damos a ele. Grandes eventos costumam funcionar como espelhos emocionais. Eles revelam muito sobre a forma como lidamos com perdas, conquistas, pressão e pertencimento.”

Em um momento em que temas relacionados à ansiedade, esgotamento emocional e saúde mental ocupam cada vez mais espaço nas conversas, Telma acredita que compreender a origem dos comportamentos se tornou uma necessidade importante. “As pessoas aprenderam a identificar sintomas, mas muitas vezes ainda não conseguem reconhecer os padrões emocionais que mantêm esses sintomas ativos. Quando entendemos que muitos comportamentos são respostas de sobrevivência e não defeitos de personalidade, criamos a possibilidade de escolhas mais conscientes.”

Enquanto a Copa do Mundo mostra quais seleções conseguem transformar pressão em desempenho, a especialista propõe uma reflexão para fora dos estádios. “Vale a pena observar não apenas o que acontece em campo, mas também o que acontece dentro de nós. Grandes eventos como a Copa revelam emoções que já existiam e podem nos ajudar a compreender melhor quem somos, como reagimos e o que ainda precisamos elaborar emocionalmente”, finaliza.

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