Correntes contribuíram para acidente em perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, diz ANP
Os vazamentos de fluido de perfuração ocorreram em duas tubulações flexíveis conhecidas como "risers", que ligam a plataforma ao fundo do mar

Foto: Petrobras/Divulgação
NICOLA PAMPLONA - Parecer da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) indica que as fortes correntes da costa do Amapá contribuíram para os vazamentos que levaram à suspensão da perfuração do polêmico poço da Petrobras na região.
O incidente paralisou a perfuração do poço no início de janeiro. Para retomar a atividade, a estatal terá que cumprir algumas condicionantes de segurança impostas pela ANP. Procurada, a empresa ainda não se manifestou sobre o tema.
Os vazamentos de fluido de perfuração ocorreram em duas tubulações flexíveis conhecidas como "risers", que ligam a plataforma ao fundo do mar. Foram detectados pela Petrobras em atividade preparatória ao início da fase quatro do poço.
O parecer da ANP diz que a causa imediata do vazamento foi falha na vedação de juntas dessas duas linhas. "Durante a análise da anomalia foi identificado que quando o 'riser' é submetido a deslocamentos laterais elevados, forças de contato adicionais são geradas na região das vedações", explica o texto.
A sonda de perfuração da Petrobras fica cerca de 2.900 metros acima do fundo do mar, uma das maiores distâncias entre todos os poços petrolÍferos já perfurados no país. É, de longe, a maior entre os poços já perfurados naquela região.
As fortes correntes na região eram apontadas por organizações ambientalistas e pelo próprio Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) como um desafio adicional às operações.
A Petrobras chegou a perfurar 95 poços na bacia, que teve seu pico de exploração na década de 1970. Destes, 31 foram abandonados por dificuldades operacionais. Na última tentativa, em 2011, por exemplo, a Petrobras suspendeu a perfuração devido a fortes correntezas.
"O relatório considerou que os principais carregamentos laterais atuantes em um 'riser' de perfuração decorrem da corrente marítima e do deslocamento da sonda em relação ao poço", continua o trabalho de auditoria da ANP.
O relatório traz algumas recomendações, como trocas e reforços nas juntas dos "risers", intensificação do monitoramento de linhas e vibrações e deslocamento da sonda de perfuração para aumentar a tensão dessas linhas.
Traz também condicionantes para a retomada das operações, entre elas a substituição de todos os selos de juntas dos "risers", treinamento para funcionários, redução do tempo de coleta de dados sobre a vibração dos equipamentos e evitar uso de 15 juntas reservas que estavam na sonda sem certificação.
A Petrobras tem dito que o fluido de perfuração é biodegradável e não causa impactos ambientais. Diz também que não houve danos à integridade do poço.
Em entrevista à agência Reuters, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, disse que a Petrobras deve ser autuada pelo vazamento de fluido. Ele não estimou, porém, o valor da multa.


