Cubanos passam venezuelanos e lideram pedidos de refúgio no Brasil
País registrou 75,5 mil solicitações no ano passado, terceiro maior volume da série histórica

Foto: Agência Brasil
Os cubanos lideraram os pedidos de refúgio no Brasil em 2025, superando os venezuelanos, que ocuparam o topo do ranking por anos. Segundo o estudo Refúgio em Números 2026, divulgado nesta segunda-feira (22), foram registradas 75.599 solicitações no ano passado, um aumento de 10,9% em relação a 2024 e o terceiro maior volume da série histórica, atrás apenas de 2018 e 2019.
Elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça, o levantamento aponta que a retomada dos fluxos migratórios observada desde 2022 continuou em 2025, após as restrições impostas durante a pandemia de Covid-19.
Se comparado aos 22.288 pedidos de refúgio oriundos de pessoas dessa nacionalidade em 2024, houve um crescimento de 88,1% no total de solicitantes cubanos.
Diante desse aumento, os venezuelanos ficaram em segundo lugar no ranking, representando 28,1% do número total de solicitações de refúgio. De acordo com o estudo, foram registrados 21.233 pedidos.
Ranking das solicitações por país em 2025:
* Cuba (41.919)
* Venezuela (21.233)
* Colômbia (1.432)
* Angola (1.253)
* Marrocos (888)
* Gana (792)
A lei brasileira entende como pessoa refugiada aquela que “por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país”, além daquelas que sofreram algum tipo de grave violação de direitos humanos.
Dados do Observatório mostram, ainda, o crescimento do número de pedidos entre 2025 e 2026, considerando apenas os meses de janeiro a abril. No período, houve um aumento de 776 solicitações de cubanos. Na contramão, os venezuelanos reduziram a demanda, passando de 7.086 para 4.274.
Distribuição pelo Brasil
Ainda segundo o estudo, 52,4% dos pedidos de refúgio autorizados pelo Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) ocorreram em estados da região Norte do país, sendo que as unidades federativas que receberam maior volume de solicitações foram: Roraima (32%); São Paulo (26,5%); e Amapá (12,6%).
Do total de pedidos de refúgio, o levantamento ressalta que há um número "expressivo" de solicitações em decorrência de "violação generalizada de direitos humanos", que representa 94,7% dos pedidos. Sendo que o maior grupo neste quesito é composto por venezuelanos.
O relatório também relaciona parte do aumento de solicitações ao contexto econômico e político de Cuba, marcado por dificuldades internas, apagões e tensões externas, incluindo medidas adotadas pelo governo de Donald Trump relacionadas ao bloqueio de petróleo à ilha.


