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Documentos históricos e IA resgatam rostos de Luiza Mahin, Tereza de Benguela e Maria Felipa

Durante mais de dois séculos, as três líderes negras foram representadas pela imagem de uma mulher desconhecida

Por Da Redação
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Atualizado
Documentos históricos e IA resgatam rostos de Luiza Mahin, Tereza de Benguela e Maria Felipa

Foto: Divulgação/BB/projeto Faces Negras Importam/Ilka Cyana

Com o auxílio de documentos e relatos históricos e orais, as três líderes negras da história do Brasil, Tereza de Benguela, Maria Felipa e Luiza Mahin, tiveram seus rostos resgatados por quatro pesquisadores através de recursos de inteligência artificial.

As novas fisionomias são diferentes da representação até então existente a partir de um retrato feito pelo fotógrafo alemão Alberto Henschel em 1870 e ganharam neste mês as redes sociais de perfis ligados a movimentos negros e ativistas. 

Ao jornal O Globo, a tataraneta de Tereza de Bengela e quinta geração da líder quilombola, a pesquisadora Silviane Ramos, de 45 anos, frisa que a identidade das três líderes se perdeu ao longo do anos, em um apagamento histórico. 

"Quando se apaga o rosto de uma pessoa, elimina-se sua história. Foi usada uma mesma imagem para as três líderes negras, impedindo a representatividade de cada uma e sua importância para o país", disse. 

Silviane estuda o legado da tataravó há pelo menos 30 anos e até chegar a face da líder quilombola, reuniu documentos históricos e relatos orais da região de Vila Bela da Santíssima Trindade, cidade de Mato Grosso próxima à fronteira com a Bolívia, onde morou Tereza.

"Quando eu vi a imagem, senti que fazia parte dela. Foi uma emoção. Ela lembra muito minha mãe. O pescoço longo, os ombros, o rosto são muito semelhantes", conta a descendente.

Maria Felipa, por outro lado, segundo descrições históricas recuperadas peça pesquisadora Rejane Mira, mestre em Metodologia do Ensino Superior, carregava traços sudaneses, lábios largos, nariz achatado, olhos arredondados e cabelos curtos, com uso de tranças. 

Já Luiza, objeto de pesquisa de Aline Najara Gonçalves, doutora em História pela Universidade Federal Rural do Rio (UFRRJ) e autora de livros sobre a líder negra, teve em uma das fontes para a recriação de seu rosto uma carta escrita por seu filho, o advogado abolicionista Luiz Gama. 

No documento, o Patrono da Abolição da Escravidão no Brasil relata a mãe como uma mulher negra, bonita, de baixa estatura, pele preta sem lustro e dentes muito brancos que, ao serem citados, são comparados por Gama à neve. 

Foi a partir dos registros históricos, os rostos foram sendo recriados pela diretora cinematográfica e artista visual Ilka Cyana, com uso de inteligência artificial e editores de imagens.

A pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e autora do livro “Maria Felipa de Oliveira: heroína da independência da Bahia”, Eny Kleyde Vasconcelos, também contribuiu com a pesquisa.

O trabalho de resgate dos rostos foi financiado pelo Banco do Brasil e integra o projeto Faces Negras Importam, lançado em 2024 pela instituição.

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