• Home/
  • Notícias/
  • Política/
  • Dona de produtora de filme sobre Bolsonaro buscou Lei Rouanet para projetos de R$ 8,6 milhões

Dona de produtora de filme sobre Bolsonaro buscou Lei Rouanet para projetos de R$ 8,6 milhões

Empresária responsável pelo filme ‘Dark Horse’ busca incentivo fiscal do Ministério da Cultura para outras produções

Por FolhaPress
Às

Dona de produtora de filme sobre Bolsonaro buscou Lei Rouanet para projetos de R$ 8,6 milhões

Foto: Divulgação

LUANY GALDEANO E MATEUS VARGAS- Sócia-administradora da Go Up Entertainment, a produtora do filme "Dark Horse" ("azarão", em inglês) sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Karina Ferreira da Gama buscou a Lei Rouanet para captar R$ 8,59 milhões em recursos para quatro eventos, incluindo um festival da Marcha para Jesus.

Os pedidos foram feitos por meio do Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina. No entanto, ela conseguiu obter recursos para apenas uma atração, chamada "Rute - o Ballet", que levantou R$ 107 mil com a lei que permite incentivo privado a iniciativas culturais, sob isenção de parte do Imposto de Renda.

A Lei Rouanet é alvo frequente de ataques de bolsonaristas e foi mencionada nas respostas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o site The Intercept Brasil revelar áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência pediu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para bancar o filme Dark Horse.

"O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", afirmou o senador, em nota, no dia 13, quando foi divulgado o áudio.

Na quinta-feira (21), o presidente Lula (PT) defendeu a Rouanet e disse que seu governo nunca foi atrás da "lei Daniel Vorcaro" para financiar artista, em crítica às conversas entre o dono do Banco Master e Flávio Bolsonaro.

Procurada por mensagem e por email, Karina Gama não respondeu à reportagem. O Instituto Conhecer Brasil também foi procurado, mas não retornou.

O instituto presidido por Karina tentou captar verbas pela Rouanet por projetos apresentados entre 2015 e 2019.

O governo Bolsonaro aprovou o maior pedido de Karina, para captar R$ 5,9 milhões por shows ligados à Marcha para Jesus em 15 estados. Apresentado no fim de 2019, o plano era atrair 3 milhões de pessoas com apresentações de artistas de expressão nacional.

Com a pandemia, o governo ampliou o prazo para captação do recurso até o fim de 2022, mas o instituto não chegou a levantar a verba.

Karina seria coordenadora-geral do "festival itinerante". No projeto, ela afirmou que atuava havia 20 anos no desenvolvimento de "planos e projetos estratégicos corporativos, sociais, culturais e econômicos para empresas e governos nacionais e internacionais que promovam o encontro e o intercâmbio de diferentes públicos".

O Instituto Conhecer Brasil só conseguiu levantar recursos para o "Rute - o Ballet", apresentado em 2019 e realizado no ano seguinte. O governo autorizou captação de R$ 157 mil, dos quais R$ 107 mil foram efetivamente obtidos.

A entidade ainda recebeu aval para captar recursos para o teatro "Turma do Smilinguido" e para a turnê da cantora Hadassah Perez –cerca de R$ 1,2 milhão para cada atração, verba que não chegou a ser obtida.

Além da Go Up, Karina tem outras empresas ou entidades do ramo cultural beneficiadas por verbas públicas.

O Conhecer Brasil firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo, na gestão Ricardo Nunes (MDB), para receber R$ 108 milhões para fornecer internet wi-fi em comunidades de baixa renda.

O instituto ainda recebeu R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP), que é produtor e roteirista do filme.

Karina já afirmou que a contratação pela prefeitura ocorreu de maneira regular, sem ligação com o filme "Dark Horse", assim como os recursos de emendas parlamentares.

Ao justificar os repasses, em publicação nas redes sociais, Frias também mencionou lei de incentivo: "Geri bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saí do governo com as mãos limpas. Quem não se enriqueceu com bilhões certamente não iria se sujar pelos R$ 2 milhões que a imprensa agora tenta atribuir".

Deputados estaduais também direcionaram R$ 700 mil a empresas e entidades ligadas à produtora.

Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção de "Dark Horse". Segundo o Intercept Brasil, o valor total negociado entre o banqueiro e a família Bolsonaro era de R$ 134 milhões, mas não há evidências de que todo o dinheiro tenha sido repassado.

A Polícia Federal ainda suspeita que o valor repassado por Vorcaro possa ter sido usado para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025.

Flávio e Eduardo já negaram esta versão. "Tem como comprovar. O que eu pedi hoje foi para o fundo privado disponibilizar o contrato ou que houvesse a prestação de contas pela produtora no Brasil", disse o senador na semana passada.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:[email protected]
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário