Efeito dominó: deputados baianos se explicam e retiram apoio a emenda que adia fim da escala 6x1
Repercussão negativa pressionou posicionamento público dos parlamentares

Foto: Divulgação/ Câmara dos Deputados (Na foto: Capitão Alden, João Carlos Bacelar e Arthur Maia)
Após a repercussão negativa da emenda que adia em 10 anos o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho, deputados baianos que assinaram a proposta passaram a recuar publicamente ou justificar o apoio ao texto.
A pressão nas redes sociais e as críticas à proposta apresentada pelo deputado Tião Medeiros (PP-PR) atingiram diretamente parlamentares que apoiaram a emenda, que já reúne assinatura de 171 deputados.
Entre eles, estão nove deputados federais da Bahia:
• Capitão Alden (PL)
• Arthur Maia (União Brasil)
• José Rocha (União Brasil)
• Roberta Roma (PL)
• João Carlos Bacelar (PL)
• Diego Coronel (Republicanos)
• Paulo Azi (União Brasil)
• Rogéria Santos (Republicanos)
• Claudio Cajado (PP)
Em comunicado à imprensa, Capitão Alden afirmou que assinou a emenda por considerar necessário evitar impactos econômicos e garantir que as mudanças ocorram de forma gradual e planejada.
“Sou favorável ao debate sobre melhoria da qualidade de vida do trabalhador. Quem não quer trabalhar menos e viver melhor? O problema é fazer uma mudança dessa magnitude sem estudo econômico, sem planejamento e sem dizer quem vai pagar a conta”, disse.
Vice-líder da oposição na Câmara, Alden citou ainda países frequentemente usados como exemplo para a redução da jornada, como Islândia, Alemanha, Holanda, Bélgica e Reino Unido, afirmando que eles só adotaram modelos mais flexíveis de trabalho após alcançarem altos níveis de produtividade.
“O Brasil já resolveu problemas como baixa produtividade, alta carga tributária, burocracia e informalidade? Não podemos copiar apenas o resultado sem construir o caminho.”
Já Arthur Maia afirmou, em comentário nas redes sociais, que retirou a assinatura da emenda. “Já retirei a minha assinatura”, escreveu o parlamentar.
Roberta Roma também protocolou um requerimento oficial solicitando a retirada do apoio à proposta.
Segundo a bolsonarista, “a mudança na jornada de trabalho precisa ser feita com responsabilidade, mas sem transformar a transição em um adiamento excessivo de uma conquista importante para os trabalhadores”.
A deputada Rogéria Santos também apresentou requerimento para retirada da assinatura. Segundo a parlamentar, a decisão ocorreu após uma “análise mais aprofundada” da proposta.
Já o deputado João Carlos Bacelar sinalizou que também deve retirar a assinatura, alegando “erro de assessoria”.
Diego Coronel também afirmou ter solicitado a retirada do nome da emenda, alegando que a assinatura foi incluída no texto por um “erro material” de sua assessoria.
Até o momento, José Rocha, Paulo Azi e Claudio Cajado não se pronunciaram.
Entenda
A emenda está sob análise do relator da comissão especial da Câmara, Leo Prates (Republicanos-BA), que decidirá se incorpora as sugestões ao relatório final. Caso isso ocorra, as mudanças propostas passarão a integrar oficialmente o texto das PECs que tratam do fim da escala 6x1.


