El Niño pode ser forte e começar nos próximos meses, diz ONU
Fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das temperaturas da superfície do oceano no Pacífico Equatorial

Foto: Own work
JÉSSICA MAES- Ecoando o coro de outras agências internacionais, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço da ONU (Organização das Nações Unidas), informou nesta sexta-feira (24) que o El Niño deve se desenvolver já no período de maio a julho.
A última ocorrência do fenômeno, de 2023 a 2024, levou as temperaturas globais a níveis recordes e, somada à mudança climática, potencializou eventos climáticos extremos --como a seca histórica na amazônia e as enchentes no Rio Grande do Sul.
"Os modelos climáticos estão fortemente alinhados e há alta confiança no início do El Niño [em meados de 2026], seguido de intensificação adicional nos meses seguintes", disse em comunicado o chefe de previsão climática da OMM, Wilfran Moufouma Okia.
"Os modelos indicam que este pode ser um evento forte -mas a chamada barreira de previsibilidade da primavera é um desafio para a certeza das previsões nesta época do ano. A confiança nas previsões geralmente melhora após abril", afirmou.
El Niño e La Niña são fases opostas da Oscilação Sul-El Niño (Enso, na sigla em inglês), um dos padrões climáticos mais poderosos da Terra, mudando padrões de ventos, pressão e precipitações.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das temperaturas da superfície do oceano no Pacífico Equatorial. Ele normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura cerca de nove a doze meses, informa a OMM.
No Brasil, o fenômeno normalmente intensifica a estiagem nas regiões Norte e Nordeste e aumenta os acúmulos de chuva no Sul.
"Não há evidências de que as mudanças climáticas aumentem a frequência ou intensidade dos eventos de El Niño. Mas elas podem amplificar os impactos associados a ela, porque um oceano e uma atmosfera mais quentes aumentam a disponibilidade de energia e umidade para eventos climáticos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas", diz a OMM.


