Elton John, que lidera o Rock in Rio, cantou para público hostil no festival há 15 anos
Últimos grandes shows de Elton John aconteceram em 2023

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GUILHERME LUIS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Aposentado dos grandes palcos e longe do Brasil há quase uma década, Elton John vem sendo considerado uma das poucas atrações imperdíveis do próximo Rock in Rio, evento criticado por frequentemente escalar artistas repetidos. É irônico, portanto, que o britânico chegue aclamado ao festival, tocando na segunda-feira, 7 de setembro, dada a recepção hostil que teve a sua primeira passagem pelo evento, há 15 anos.
Era 2011, e "sir" Elton John teve seu show alocado entre os de Katy Perry, então em ascensão, e Rihanna, uma das artistas pop de maior sucesso comercial no período. Assim, o astro, à época com 64 anos, se viu diante de uma plateia jovem que ou encarava a tela do celular, ou gritava pela chegada da cantora de Barbados.
Foi uma recepção bem diferente daquela que o astro teve em 1995, quando reuniu 40 mil fãs no Estádio do Flamengo, durante a "Made in England Tour" -uma gravação remasterizada do evento, aliás, será exibida gratuitamente em alguns cinemas de São Paulo e Rio na segunda (31).
Em 2015, Elton John fez as pazes com o Rock in Rio -antes de Rod Stewart, encontrou um público que acompanhava seu show. Para esta 11ª edição, o festival não parece ter tido dúvida do tamanho do artista, que encabeça pela primeira vez o palco Mundo, o palanque principal.
Quem estiver lá vai presenciar um retorno que parecia improvável. Os últimos grandes shows de Elton John aconteceram em 2023, após ele passar cinco anos viajando pela Europa, Oceania e América do Norte com a megaturnê de despedida "Farewell Yellow Brick Road". Foram 330 apresentações que renderam US$ 1 bilhão, ou R$ 5 bilhões, um recorde à época, superado depois por Taylor Swift.
Quando o Rock in Rio anunciou John, o cantor usou as redes sociais para dizer que abriria uma exceção à aposentadoria porque vinha se sentindo em dívida com o Brasil, por onde não passou com sua turnê derradeira. Depois do festival carioca, ele também se apresentará na Cidade do México.
A estrela, hoje aos 79, enfrentou vários problemas de saúde nos últimos tempos. O mais severo aconteceu em 2024, quando ele teve uma infecção nos olhos e ficou sem visão do lado direito, problema que se agravou depois. Em outubro daquele ano, o cantor fez piada com seu estado.
"Não sobrou muita coisa de mim. Não tenho amígdalas, adenoides ou apêndice. Não tenho próstata. Não tenho mais o quadril direito, nem o joelho esquerdo", afirmou ele no evento de estreia de um documentário dirigido por seu marido, o cineasta David Furnish, em Nova York.
Ainda não se sabe se haverá novidades nesta volta pontual da turnê. Fãs esperam que John inclua novas canções no setlist, já que, desde o último show em Estocolmo, na Suécia, o britânico lançou o álbum "Who Believes in Angels?". A obra é fruto de uma parceria com a americana Brandi Carlile, cantora de música country e folk.
No Rio de Janeiro, então, Elton John pode mesclar as canções de maior repercussão do último disco, como a faixa-título "Who Believes in Angels?", aos sucessos que colecionou ao longo das mais de seis décadas de carreira.
Não devem faltar, portanto, "Tiny Dancer", "Rocket Man" e "Your Song". Uma aposta certeira também é "Cold Heart", sua música mais ouvida no Spotify e um dos maiores sucessos de sua carreira entre a geração mais nova, conquistado ao lado da britânica Dua Lipa.
É nesse repertório que está a dimensão do artista que o Rock in Rio agora recebe, um musicista que ajudou a redefinir o lugar do piano no rock e no pop e, nos anos 1970, lançou álbuns que sustentam ainda hoje seus shows.
Também pode haver atenção especial ao disco "Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy", que fez 50 anos em 2025. A obra que ele considera sua melhor reúne canções como "Someone Saved My Life Tonight" e uma versão de "Lucy in the Sky with Diamonds", o clássico dos Beatles.



