Em Nova York, Lula chama Eduardo Bolsonaro de “traidor da pátria” e cita financiamento de Dark Horse
Presidente afirmou à CNN que pediu a não interferência dos EUA nas eleições brasileiras

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou Eduardo Bolsonaro (PL) de “traidor da pátria” nesta segunda-feira (21), durante entrevista concedida à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, em Nova York. Lula está nos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que começa nesta terça-feira (22).
Ao falar sobre o ex-deputado, Lula relacionou as críticas à atuação de Eduardo nos Estados Unidos e também mencionou as investigações envolvendo o financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Ele é um dos traidores da pátria. Ele inflou os Estados Unidos contra o Brasil. Isso é o que aconteceu”, declarou Lula.
Na sequência, o presidente afirmou que as investigações devem esclarecer como o longa-metragem foi financiado. Em outro trecho da entrevista, disse que há recursos brasileiros circulando nos Estados Unidos e que a origem do dinheiro destinado à produção deverá ser esclarecida.
O financiamento de Dark Horse está sob investigação. Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) em um procedimento relacionado aos recursos destinados ao filme. O senador nega irregularidades e afirma que a abertura dos documentos demonstrará que não houve ilegalidade no projeto.
Risco de interferência dos EUA
Na entrevista, Lula também afirmou que pediu diretamente ao presidente norte-americano, Donald Trump, que não interfira na eleição brasileira.
Segundo o presidente, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enviou um alerta sobre o risco de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral deste ano. Lula ressaltou que Brasil e Estados Unidos mantêm relações diplomáticas há mais de dois séculos, mas afirmou que a escolha do próximo presidente cabe aos brasileiros.
Um relatório da Abin encaminhado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral apontou aumento do nível de atenção em relação a uma eventual influência norte-americana nas eleições. As informações foram divulgadas inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmadas pela CNN.
Lula desembarcou em Nova York na noite de domingo (20). Nesta segunda, a agenda inclui reuniões com autoridades e lideranças políticas antes da abertura da Assembleia Geral da ONU. O presidente brasileiro fará o primeiro discurso de um chefe de Estado no debate geral nesta terça-feira.


