Espanhol que estava em cruzeiro tem diagnóstico positivo para hantavírus
O paciente não apresentava sintomas e estava em boas condições de saúde.

Foto: Wikimedia Commons
O teste de um espanhol que está em quarentena em Madri após ser retirado do navio de cruzeiro MV Hondius apresentou resultado positivo para hantavírus, informou o Ministério da Saúde do país nesta segunda-feira (11).
Segundo o governo da Espanha, o paciente não apresentava sintomas e estava em boas condições de saúde. Exames adicionais, contudo, ainda seriam realizados, acrescentou a pasta. Testes de outros 13 espanhóis que já estavam em quarentena no mesmo hospital militar deram negativo para o vírus.
Com a confirmação do diagnóstico do espanhol, subiu para sete o número de casos confirmados de hantavírus entre os passageiros do navio. Três pessoas morreram.
No domingo (10), o Departamento de Saúde dos Estados Unidos informou que o teste de um dos 17 americanos que estavam no navio também deu positivo para o vírus.
Os ocupantes do cruzeiro MV Hondius começaram a deixar a embarcação no domingo. O desembarque teve início horas depois de sua chegada ao porto de Granadilla de Abona, na ilha espanhola de Tenerife.
Segundo a ministra da Saúde da Espanha, Monica Garcia, a retirada de todos os passageiros terminou nesta segunda. "Concluímos a operação com sucesso. Entre ontem e hoje, retiramos 125 passageiros e tripulantes de 23 países. Eles já estão em seus países ou estão sendo levados", disse.
O governo espanhol afirma que a operação de desembarque ocorreu com "todas as garantias de saúde pública" e que não foram detectados roedores a bordo da embarcação.
Em relatório, o Ministério da Saúde do país destacou que mais de 500 cruzeiros saem da Argentina e do Chile, onde o hantavírus é endêmico, e chegam todos os anos à Europa sem que surtos tenham sido registrados no continente, classificando como "remota" a possibilidade de um surto relacionado ao MV Hondius.
De acordo com a ministra, 94 pessoas foram retiradas no domingo e transportadas em oito voos. Nesta segunda, outros dois voos partiram em direção à Holanda: um deles com 21 tripulantes e dois médicos da OMS (Organização Mundial da Saúde) e outro com seis pessoas que seguirão posterioramente para a Austrália.
Cerca de 30 tripulantes permanecem no navio. Eles seguirão para a Holanda, com previsão de chegada no próximo domingo (17). De lá a embarcação passará por um processo de desinfecção.
A operação de repatriação do MV Hondius envolveu a retirada dos passageiros em lanchas até o porto de Tenerife. Seguiram, então, em ônibus militares até o aeroporto, de onde embarcaram em aviões enviados por seus países, sem contato com a população local.
Todos os ocupantes do navio passaram por procedimentos de descontaminação antes dos voos de repatriação, afirma o governo espanhol.
A repatriação foi realizada por nacionalidades, 23 no total. Os primeiros a serem retirados do cruzeiro foram os 14 passageiros espanhóis, transportados ao aeroporto em ônibus especiais da Unidade Militar de Emergências (UME), adaptados com separação sanitária, com destino a Madri.
No domingo também partiram voos para França, Países Baixos que levou um passageiro argentino e um tripulante guatemalteco, os dois latino-americanos do navio, Canadá, Irlanda, Turquia, Estados Unidos e Reino Unido.
A operação é coordenada pelo governo da Espanha com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
A agência da ONU recomendou a adoção de uma quarentena de 42 dias para todos os passageiros do navio a partir deste domingo, afirmou Maria Van Kerkhove, diretora de gestão de epidemias e pandemias da organização, em uma entrevista coletiva.
O cruzeiro saiu em 1º de abril da Argentina, com 149 pessoas a bordo, de 23 nacionalidades. O vírus foi detectado em 2 de maio, 21 dias após a morte do primeiro passageiro, um cidadão holandês de 70 anos. Também morreram a esposa dele, uma holandesa de 69 anos, e um cidadão alemão.
O hantavírus geralmente é transmitido por roedores, mas em casos raros (cepa Andes) pode ser transmitido de pessoa para pessoa. A principal forma de transmissão se dá pelo contato com urina, fezes e saliva com roedores silvestres, conhecidos como ratos do mato.
Com Reuters


