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Especialistas avaliam que vídeo de IA de Bolsonaro pode causar consequências para PL e ex-presidente

Vídeo foi exibido durante convenção partidária nacional do Partido Liberal no último sábado (25)

Por Da Redação
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Especialistas avaliam que vídeo de IA de Bolsonaro pode causar consequências para PL e ex-presidente

Foto: Reprodução

A convenção partidária nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado (25), exibiu um vídeo de do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) produzido com inteligência artificial (IA). Na gravação, ele afirma estar "preso e calado por uma decisão arbitrária" e que "nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança". 

Nas imagens, o ex-presidente ainda pede que os apoiadores recebam o filho, Flávio Bolsonaro "de braços abertos" como candidato à Presidência. 

O conteúdo, no entanto, deve causar reações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto do Supremo Tribunal Federal (STF), porque os órgãos proíbem o uso de deepfakes, ou conteúdo sintético, para substituir a imagem ou voz de pessoa viva, mesmo com autorização. 

No caso de Bolsonaro, ele ainda cumpre prisão domiciliar de 27 anos e 3 meses, e está proibido de divulgar manifestações de conteúdo político-eleitoral por qualquer meio, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

De acordo com o advogado especialista em Direito Eleitoral e doutor em Direito do Estado, Luiz Eduardo Peccinin, ouvido pelo g1, o vídeo representou uma infração à legislação eleitoral. “Ainda que tenha sido indicado que se tratava de um personagem de inteligência artificial, isso viola de forma objetiva a norma do TSE que estabeleceu a proibição do uso de deepfake ou o uso da IA generativa para criar uma pessoa artificial”, disse.

Para Peccinin, o caso pode provocar multa e até a proibição do uso deste recurso em IA durante as eleições. “Se essa conduta prosseguir pela campanha após ser considerada irregular, isso vai trazer riscos”, avalia.

O advogado e consultor da Comissão Especial de Direito Digital da Câmara dos Deputados, Matheus Puppe, considera que a resolução do TSE sobre conteúdo sintético é "muito ampla" e não pode ser interpretada isoladamente. 

“Proibir o deepfake e permitir a IA, uma coisa esbarra na outra. É uma norma que se contradiz”, pondera. “O próximo passo do TSE é reavaliar a próxima resolução, a finalidade de fato dela. E proibir o uso de IA sem o consentimento da pessoa representada para prejudicar a sociedade de maneira geral."

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