Estado reconhece emergência em São Tomé de Paripe, mas moradores relatam abandono cinco meses após interdição
Comunidade segue sem previsão para retomada das atividades

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Cinco meses após a interdição da praia devido ao derramamento de produtos químicos que contaminou São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, o Governo da Bahia homologou o decreto municipal que reconhece a situação de emergência na área afetada. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira (26), amplia o reconhecimento oficial da gravidade do desastre ambiental, mas ainda não muda a realidade de quem depende da praia para sobreviver.
O decreto estadual homologa a decisão da Prefeitura de Salvador, publicada em 8 de junho, e estabelece situação de emergência por 90 dias nas áreas atingidas pela contaminação. O texto cita os danos provocados pelo derramamento de produtos químicos em ambientes lacustres, fluviais, marinhos e aquíferos, além dos impactos sobre a economia local e a população.
Na homologação publicada pelo Governo do Estado, a gestão estadual afirma que a medida considera os danos provocados pelo derramamento de produtos químicos e seus impactos sobre as atividades econômicas e a população de Salvador. O decreto também determina que a homologação tenha efeito retroativo a 8 de junho, data em que a Prefeitura decretou situação de emergência, mantendo validade de 90 dias.
Enquanto o poder público formaliza medidas administrativas, moradores afirmam que continuam enfrentando dificuldades sem assistência efetiva.
Filha e neta de pescadores e moradora de São Tomé de Paripe há 41 anos, Daniela Vasconcelos diz que a comunidade vive um cenário de abandono desde a interdição da praia.
"Sofrendo, sem amparo, sem planos de descontaminação, em total abandono. Decretaram emergência, porém nenhum tipo de benefício ou amparo social foi adotado até o momento", desabafou.
Segundo Daniela, pescadores, marisqueiras, barraqueiros e comerciantes tiveram a principal fonte de renda interrompida desde a contaminação e ainda aguardam uma solução.
"São pais e mães de família que estão com a sua principal fonte de renda comprometida e sem previsão de melhora, passando por apertos financeiros e necessidades dentro dos seus lares", disse.
Ela afirma que, até agora, a única assistência recebida pela comunidade foi a entrega de uma cesta básica, há cerca de três meses.
Sem previsão para reabertura
Além da falta de auxílio financeiro, moradores demonstram preocupação com a ausência de um cronograma de recuperação ambiental da área. Para Daniela, a reabertura da praia sem um processo de descontaminação representaria um risco para a população.
"Se não há planos de descontaminação apresentados ao longo desses cinco meses, acredito que não existe prazo para abertura da praia. Seria uma imprudência liberar a praia sem que medidas de remediação fossem adotadas", pontuou.
Ela lembra ainda que o Ministério Público da Bahia propôs a criação de um auxílio financeiro para as famílias afetadas, mas, segundo a moradora, a medida ainda não saiu do papel.
Comunidade cobra respostas
Sem previsão para a recuperação ambiental da praia e para a retomada das atividades econômicas, moradores cobram que o reconhecimento oficial da situação de emergência seja acompanhado por medidas concretas.
"Pedimos que essa situação seja reparada o quanto antes e que essas pessoas tenham a sua dignidade de trabalho de volta", resume Daniela.
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