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Ex-marido de Maria da Penha e outros três se tornam réus por campanha de ódio contra a ativista

Alvos da investigação frequentavam grupos extremistas, de 'red pills' e movimentos masculinistas

Por Da Redação
Às

Atualizado
Ex-marido de Maria da Penha e outros três se tornam réus por campanha de ódio contra a ativista

Foto: Divulgação

A Justiça do Ceará acatou a denúncia do Ministério Público do Ceará (MP-CE) contra o ex-marido da ativista Maria da Penha, Marco Antônio Heredia Viveiros, e outras três pessoas, apontadas como autoras de uma campanha de ódio contra a mulher. Segundo a denúncia, os acusados atuaram de "forma organizada para atacar a honra da ativista e descredibilizar a lei que leva o nome dela". 

Eles estão sendo acusados de perseguir, divulgar notícias falsas e usar um laido de exame de corpo de delito forjado para defender a inocência de Marco Antônio, condenado por tentativa de homicídio contra Maria da Penha. Os acusados foram identificados como: 

  • O influenciador digital Alexandre Gonçalves de Paiva; 
  • o produtor do documentário “A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha” Marcus Vinícius Mantovanelli; 
  • e o editor e apresentador do documentário, Henrique Barros Lesina Zingano.

O influenciador foi acusado de intimidação sistemática e perseguição, enquanto Marcus Viveiros vai responder por falsificação de documento público. Já Mantovanelli e Zingano respondem por uso do documento falso, que foi divulgado no documentário. 

Alexandre de Paiva, em maio de 2023, foi até a antiga residência de Maria da Penha, em Fortaleza, onde gravou vídeos e divulgou conteúdos nas redes sociais. No local, ele fez perguntas sobre o paradeiro da ativista. 

"Vou lá incomodar em Fortaleza e eu vou de novo lá em frente à casa onde aconteceu o crime para incomodar a dona Maria da Penha!", disse Paiva em uma mensagem de áudio em um grupo de Whatsapp no qual estavam outros investigados.

Esta denúncia faz parte da Operação Echo Chamber, que teve a primeira fase em 2024 e a segunda neste ano. Conforme o MP, os alvos da investigação integravam comunidades digitais associadas a grupos extremistas 'red pills' e movimentos masculinistas, conhecidos por disseminar conteúdos misóginos, desinformação e ataques pessoais com o objetivo de descredibilizar a ativista e a própria Lei Maria da Penha. 

No ano passado, as ameaças levaram o poder público a adotar medidas de proteção. Em junho, Maria da Penha recebeu a garantia de segurança por meio do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, após articulação com o governo do Ceará e o Ministério das Mulheres. A ministra Cida Gonçalves, ainda anunciou que a casa da ativista seria transformada em um memorial de referência no combate à violência contra a mulher. 

Segundo as investigações, a campanha de ódio extrapolou o ambiente virtual. Um dos principais investigados também chegou a ir até a antiga residência de Maria da Penha, no bairro Papicu, onde ela sofreu a tentativa de homicídio em 1983. Estratégias foram identificadas para questionar decisões judiciais já transitadas em julgado, desacreditar a vítima e até tentar retirar ou alterar o nome da lei do ordenamento jurídico. 

Na primeira fase da operação em 2024, mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Já em julho de 2025, na segunda fase da operação, novas diligências foram realizadas em Natal (RN), quando investigadores apreenderam aparelhos eletrônicos e um pen drive contendo um laudo pericial adulterado. 

Por isso, a Justiça determinou a suspensão do documentário “A investigação Paralela: o caso de Maria da Penha”, produzido pela empresa Brasil Paralelo. Para o Ministério Público, o material divulgava acusações infundadas de fraude processual e utilizava documento público falsificado para sustentar a narrativa, além de alimentar perseguição virtual contra a ativista.

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