Farol da Bahia testa o novo Captiva EV: elétrico à altura do preço dos rivais
SUV médio custa o preço de um compacto com amplo espaço e autonomia

A General Motors decidiu ampliar sua ofensiva no segmento de elétricos sem entrar na disputa do luxo. Depois do lançamento do Spark EUV, chegou a vez do Chevrolet Captiva EV tentar ocupar um espaço cada vez mais competitivo no mercado brasileiro: o dos SUVs elétricos médios na faixa entre R$ 185 mil e R$ 210 mil.
Importado da China e derivado do Wuling Starlight, o modelo desembarca com uma proposta simples de entender: oferecer dimensões generosas, custo mais acessível e autonomia suficiente para uso cotidiano sem tentar competir diretamente com elétricos premium.
O desafio não é pequeno. O Captiva EV entra em um segmento que já reúne alternativas como Leapmotor B10, Geely EX5, Omoda 5 EV, GAC Aion V e também versões de entrada dos BYD Yuan Pro e Yuan Plus.
Depois de uma semana e 560 km de avaliação, ficou claro que a Chevrolet apostou mais em racionalidade do que em efeito visual.
Mais espaçoso do que aparenta nas fotos
Ao vivo, o Captiva EV transmite porte maior do que as imagens sugerem. O SUV mede 4,74 metros de comprimento, 1,89 m de largura e tem entre-eixos de 2,80 m — dimensões que o colocam em um território próximo ao de SUVs familiares tradicionais.
O visual segue uma linha limpa e discreta. A dianteira adota linguagem próxima do Equinox EV com frente fechada e detalhes em preto brilhante que integram a gravata da Chevrolet. Já a traseira lembra alguns SUVs maiores da GM vendidos nos Estados Unidos, com lanternas horizontais e perfil mais convencional.
O porta-malas leva 403 litros e cresce para até 1.065 litros com os bancos traseiros rebatidos. Mesmo com o assoalho elevado pela bateria, o espaço interno é um dos pontos fortes do projeto.
No banco traseiro há folga para instalar cadeirinha infantil sem sacrificar o conforto dos demais ocupantes — inclusive com espaço suficiente para acomodar mais dois adultos.
Cabine simples, mas coerente com a proposta
Por dentro, o Captiva EV entrega exatamente o que sua origem sugere: foco em funcionalidade. O painel tem desenho horizontal limpo, instrumentos digitais de 8,8 polegadas e uma central multimídia flutuante de 15”.
A montagem passa boa impressão e há superfícies macias em áreas visíveis do painel e portas. Em compensação, regiões inferiores e console central revelam plásticos mais simples do que modelos que já fizeram parte da linha elétrica da GM anteriormente.
A multimídia também mostra escolhas curiosas. Não utiliza o sistema MyLink tradicional e o espelhamento do celular exige cabo — com funcionamento apenas pela entrada USB-A. A USB-C serve exclusivamente para carregamento.
Há espaço para acomodar dois smartphones no console, mas sem carregador por indução. Também ficaram de fora itens como ajuste de altura do cinto, banco elétrico para passageiro e conectividade sem fio. Em contrapartida, o SUV entrega teto panorâmico elétrico e abertura elétrica do porta-malas.
Autonomia surpreendeu no uso real
O conjunto mecânico utiliza motor elétrico dianteiro com 201 cv e 31,6 kgfm alimentado por bateria LFP de 60 kWh. Oficialmente, o alcance homologado pelo Inmetro é de 304 km.
Na prática, o desempenho foi melhor do que o esperado. Durante os testes, o Captiva EV percorreu cerca de 350 km na primeira carga completa. Em outro ciclo de uso, após rodar 235 km entre cidade e estrada, ainda indicava aproximadamente 130 km restantes no painel.
O resultado coloca o alcance real próximo de 360 km em condições favoráveis — número competitivo para um SUV elétrico com proposta urbana e familiar.
O sistema aceita recarga AC de até 6,6 kW e carregamento rápido DC de até 120 kW.
Conforto e equilíbrio podem ser os diferenciais
Ao volante, o Captiva EV não tenta impressionar por acelerações brutais. A entrega de potência é progressiva e o comportamento privilegia conforto e previsibilidade.
O isolamento acústico está acima da média para um produto de proposta mais acessível e a ergonomia agrada no dia a dia. Os comandos são simples e fáceis de localizar.
No fim, o Captiva EV parece menos preocupado em parecer tecnológico e mais focado em entregar o essencial de um elétrico familiar: espaço, autonomia consistente e preço competitivo.
Com estrutura local de montagem no Ceará em parceria com a Comexport e cerca de 400 concessionárias habilitadas para atendimento de veículos elétricos, a Chevrolet amplia sua presença nesse mercado. Depois do bom desempenho comercial do Spark entre os elétricos em abril, o Captiva EV surge como uma tentativa de repetir a estratégia em um segmento maior e hoje dominado por marcas chinesas.


