Flávio Bolsonaro liga Lula a Moraes em ato na Paulista com defesa de Mendonça
O presidenciável do PL disse que há um "consórcio" de Lula com Moraes

Foto: Foto: Marina Uezima/Brazil Photo Press/Folhapress
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, promoveu ato político de 7 de Setembro na avenida Paulista nesta segunda (7) e fez uma série de críticas ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, associando o magistrado ao presidente Lula (PT), seu principal adversário na eleição. Em discurso, Flávio disse que "quem vota em Lula tá votando em Alexandre de Moraes" e que o magistrado "vai cair". O presidenciável do PL disse que há um "consórcio" de Lula com Moraes e que vai trabalhar para "resgatar a credibilidade" do Supremo, caso seja eleito.
Bolsonaristas tentaram impulsionar o ato na última semana tendo como combustível as mensagens reveladas entre o ministro do Supremo e Daniel Vorcaro, do Banco Master.O próprio Flávio, porém, enfrenta desgastes na campanha por causa do caso Master. Em maio, foi revelado que ele pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, Jair Bolsonaro. O episódio está sob investigação da Polícia Federal. O senador nega irregularidades e não apresentou documentos que comprovem o destino dos valores, diferentemente do que afirmou que faria há quatro meses.
Nesta segunda, Flávio chegou ao local por volta das 15h. Entre os aliados presentes, estão os deputados Marco Feliciano e Sóstenes Cavalcante, o ex-deputado Deltan Dallagnol, o senador Sergio Moro e o pastor Silas Malafaia. Apoiadores trouxeram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, além de fotos de condenados do 8 de Janeiro, chamados de presos políticos. O protesto virou plataforma de campanha para uma série de candidatos a deputado. Republicanos, PL e PP distribuíam santinhos e empunham bandeiras.
Mais cedo, antes do início do comício, um grupo de manifestantes de esquerda entrou em confronto com outro grupo que chegava para o ato da direita na esquina das alamedas Peixoto Gomide e Alameda Santos. "A PM e a GCM [Guarda Civil Metropolitana] intervieram para conter as partes", informou a corporação em nota. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o disparo de bombas de gás lacrimogêneo.
Um dos que discursaram foi o candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL). Ele criticou o ministro Alexandre de Moraes e disse que "não existe Lula sem Alexandre". Puxou coro de "fora Lula e fora Moraes".
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que tem sido cabo eleitoral de Flávio na capital paulista, afirmou que "Supremo é o povo brasileiro" e pediu votos aos senadores da direita. Também em um discurso breve, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal na gestão Jair Bolsonaro, disse que Lula prometeu picanha e entregou pizza parcelada. "Vamos acabar com essa gastança", disse.
Presidente do PL, Valdemar Costa Neto afirmou, em seu discurso no trio, que "Bolsonaro vai ficar preso mais 10 anos se Flávio não for eleito", puxando um coro de "volta, Bolsonaro".
Antes do ato, bolsonaristas se mobilizaram em defesa do ministro do Supremo André Mendonça, que é relator do caso Master e que na terça-feira (1º) retirou o sigilo do relatório da PF que mostrava diálogos entre Moraes e o ex-banqueiro. Em despacho no inquérito das fake news, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Mendonça, que é evangélico, gravou um vídeo agradecendo as orações dos apoiadores. Cartazes dos presentes manifestavam apoio ao magistrado. O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) discursou e pediu aplausos dos presentes para o ministro do Supremo.
Silas Malafaia fez uma fala dura contra Alexandre de Moraes, a quem chamou de "ditador" seguidas vezes. Segundo Malafaia, os indícios de que Moraes revisou o contrato de Daniel Vorcaro com o escritório de advocacia da mulher do ministro são "a prova da compra do poder e da influência desse ditador".
Malafaia afirmou que o objetivo com seu discurso não era pregar vingança nem descredibilizar o Supremo, e pediu que o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo, afaste Moraes. "Precisamos de instituições fortes. Desgraçar o Supremo é arrebentar com a democracia e a República", disse. Também estiveram no trio o candidato ao Governo do Rio, Douglas Ruas (PL), o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e no Senado, Carlos Portinho (PL), além de uma série de deputados federais e estaduais que concorrem à reeleição.
Este é o segundo grande ato público da campanha. O primeiro, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 16 de agosto, frustrou as expectativas. O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a ONG More in Common estimaram que quase 9.000 pessoas tenham passado por lá.
Nesta segunda, de volta à avenida Paulista, tradicional ponto de manifestações da direita bolsonarista, a campanha do presidenciável aposta no sucesso do ato para sair do empate técnico nas pesquisas e assumir o favoritismo no segundo turno da eleição.
No mais recente Datafolha, divulgado na quinta-feira (3), Lula (PT) aparece 38% das intenções de voto no primeiro turno, ante 33% de Flávio. O levantamento também confirmou a ascensão de Augusto Cury (Avante), que subiu seis pontos e atingiu 8%. Com isso, a diferença entre o presidente e o filho de Jair Bolsonaro (PL) caiu para cinco pontos, metade do que era registrado em maio.



