Gábi revela semelhanças entre seu olhar fotográfico e o do pai
Fotógrafa e artista visual conta como descobriu registros feitos pelo pai com enquadramentos semelhantes aos seus

Foto: FB Comunicações
O programa Sobretudo recebeu Gábi, fotógrafa, artista visual e curadora de arte, para uma conversa sobre sua trajetória profissional e a relação entre fotografia, arte e cidade. Durante o episódio, ela contou como a influência de seu pai, também fotógrafo, ganhou um novo significado após sua morte.
Professor de fotografia da Escola de Belas Artes, o pai de Gábi teve uma atuação reconhecida no meio cultural. Segundo ela, apesar da proximidade com a fotografia, ele não considerava a profissão uma possibilidade para as quatro filhas por entender que se tratava de uma carreira masculina.
A relação entre os dois olhares, no entanto, chamou a atenção da artista quando ela passou a observar fotografias deixadas pelo pai, que morreu em 2023. Ao comparar os registros, Gábi encontrou imagens feitas no mesmo local e com enquadramentos semelhantes, algumas separadas por décadas.
“E aí, em 2023, eu passei a olhar um pouco as coisas dele, que ainda não olhei profundamente, parei pra olhar profundamente isso. Mas eu encontrei fotos iguais. Mesmo olhar.”
Entre os exemplos, ela citou fotografias realizadas no Solar do Unhão. Em um dos registros feitos por Gábi, uma mulher aparece junto a uma estrutura do antigo engenho. O pai havia fotografado uma pessoa no mesmo ponto, com uma composição semelhante.
“Eu estava parada no mesmo lugar e meu pai parado no mesmo lugar. Fotos com 30 anos de diferença”, relatou.
Para a fotógrafa, a coincidência entre os registros reforçou a percepção de que o modo de observar e enquadrar a cidade pode ter atravessado gerações. A descoberta passou a integrar também sua reflexão sobre a própria trajetória na fotografia.



