Governo de Goiás pagou R$ 200 milhões a grupo investigado por ligação com PCC durante gestão de Caiado
Empresas eram fornecedoras de setor na área da saúde.

Foto: Reprodução / Divulgação
O Governo do Estado de Goiás pagou cerca de R$ 209 milhões para empresas que já foram ou são controladas por um homem suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os pagamentos ocorreram entre 2020 e 2025, durante a gestão do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), agora pré-candidato à Presidência. A informação é da coluna de Andreza Matais, no portal Metrópoles.
Os pagamentos foram efetuados a uma organização social da área da saúde que tinha como fornecedoras empresas do investigado de atuar com o PCC, Thiago Telles Batista de Souza.
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, Thiago Telles é o "beneficiário final" de um esquema de lavagem de dinheiro da facção. Os valores lavados teriam origem no tráfico de drogas, jogos ilegais e golpes contra consumidores. Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão em dezembro de 2025, durante a Operação Falso Mercúrio.
Thiago era apelidado de "Tom Cruise", referenciando o ator do filme "Top Gun". Ele comprava grandes volumes de dinheiro em espécie com intermediários do PCC. O período das compras coincide com os de seus contratos públicos, conforme o inquérito.
Com este esquema, os valores poderiam circular sem monitoramento do Banco Central e do Coaf.
No governo de Goiás, os valores dos contratos públicos chegavam às empresas por meio da intermediação da organização social (OS) de saúde Instituto de Medicina e Estudos (Imed).
O governo contratou o Imed, que terceiriza a gestão de hospitais para outras empresas. No período de 2019 a 2025, a organização recebeu R$ 1,4 bilhão do estado de Goiás, conforme o Portal da Transparência do estado.
O instituto foi selecionado por meio de chamamento público, modelo em que organizações sociais apresentam propostas e o governo escolhe a mais adequada.
Em nota, o ex-governador afirmou que autoridades federais de controle financeiro deveriam ter informado ao governo do estado que fornecedores das organizações de saúde tinham ligações com a facção.
A Secretaria de Saúde de Goiás afirmou que "a contratação de fornecedores pelas organizações sociais é de responsabilidade exclusiva da entidade gestora, não dependendo de autorização prévia da secretaria". Empresas citadas em relatório da polícia negaram irregularidades.
Enquanto isso, a organização social afirmou que desconhece as investigações da polícia e que contratações obedecem "processo de seleção pública, previsto em regulamento de compras aprovado pelos órgãos de controle".
"A relação do Imed com empresas fornecedoras de serviços médico-hospitalares, bem como com as pessoas mencionadas, sempre ocorreu estritamente no âmbito profissional", afirma.
Caiado possui um forte discurso de combate às facções. Em algumas ocasiões, o pré-candidato fez elogios públicos ao Imed e apareceu junto à advogada do instituto, Maria Carolina Lazarini Dias.


