Governo Lula avalia que EUA devem exigir contrapartidas para novas reduções no tarifaço
Brasil quer priorizar indústria e revisão de sanções a autoridades; 22% das exportações seguem sob sobretaxa de 40%.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
O governo brasileiro avalia que os Estados Unidos devem exigir contrapartidas para avançar em novas reduções do tarifaço aplicado a produtos brasileiros. A análise ocorre após o governo Donald Trump anunciar, em 20 de novembro, o fim da tarifa extra de 40% para alguns itens, como carne e café. Embora o gesto tenha trazido alívio ao agronegócio, o impacto segue forte sobre a indústria, já que boa parte dos manufaturados permanece sujeita à sobretaxa de 40%.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 22% de tudo o que o Brasil exporta para os Estados Unidos ainda enfrenta a tarifa de 40% ou de 10% somadas aos 40%, dependendo do tipo de produto. Outros 15% seguem enfrentando apenas a taxa adicional de 10%. Com base nos US$ 40,4 bilhões exportados em 2024, o governo calcula que cerca de US$ 8,9 bilhões continuam sob o tarifaço de 40%, enquanto US$ 6,2 bilhões seguem com taxa extra de 10%. Uma parcela de US$ 14,3 bilhões está livre de sobretaxas, e outros US$ 10,9 bilhões são afetados pelas medidas da Seção 232, voltadas principalmente ao setor de metais.
No governo Lula, a avaliação é de que Washington deverá apresentar demandas específicas para avançar na flexibilização das tarifas, embora ainda não haja sinais claros sobre quais contrapartidas seriam esperadas. A equipe econômica pretende priorizar a proteção à indústria brasileira nas conversas e busca resolver, no curto prazo, outro ponto sensível: as sanções impostas pelos EUA a autoridades brasileiras.
Essas punições incluem suspensão de vistos de ministros e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Integrantes do governo afirmam que, no início das tratativas, houve uma tentativa de incluir o ex-presidente Jair Bolsonaro como tema da negociação, mas a pauta não avançou de forma concreta.


