Honda CG Titan 2026: teste completo com a moto mais vendida

Street tem a melhor ciclística do segmento e vendeu 260 mil unidades em 6 meses

Por Marcos Camargo Jr.
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Honda CG Titan 2026: teste completo com a moto mais vendida

A Honda CG 160 Titan chegou à linha 2026 sem alterações mecânicas ou novos equipamentos. A principal novidade está na paleta de cores, que passou a incluir a Pearl Stark Gray, tonalidade oficialmente denominada Cinza Metálico pela fabricante. Combinada ao acabamento escurecido do motor, das rodas e do escapamento, a pintura deixa a motocicleta urbana com aparência mais sofisticada.

O preço sugerido da CG 160 Titan 2026 é de R$ 20.590, sem considerar o frete. O Farol da Bahia testou durante uma semana a versão mais completa da família de motocicletas mais vendida do Brasil.

A ausência de mudanças profundas tem uma explicação simples. Apresentada na linha 2025, a décima geração da CG recebeu uma das maiores renovações de sua história recente, com alterações no desenho, nas suspensões, nos freios, no painel e na iluminação. Para 2026, a Honda decidiu preservar essa evolução e concentrar as novidades nas cores.

A força comercial da CG ajuda a justificar a estratégia. A família CG 160 acumulou 260.248 emplacamentos somente no primeiro semestre de 2026, segundo a Fenabrave, sendo 46.148 unidades apenas em junho. No mesmo período, a família Yamaha YBR 150, que inclui a Factor, registrou 38.961 unidades. Na prática, a CG vendeu mais de seis vezes o volume de sua principal concorrente direta.

Como anda a CG 160 Titan 2026

Ao guidão, a Titan mostra por que a fórmula da CG continua funcionando depois de cinco décadas. Não há uma característica isolada que explique seu sucesso, mas um conjunto bastante equilibrado, formado por baixo peso, posição natural de pilotagem, comandos leves e um motor adequado ao trânsito urbano.

O piloto permanece praticamente ereto, com o guidão em uma altura confortável e as pedaleiras posicionadas sem exigir que as pernas fiquem excessivamente dobradas. A carroceria estreita facilita a passagem pelos corredores, enquanto os 120 kg de peso seco tornam simples as manobras em baixa velocidade e nos estacionamentos.

A motocicleta é equipada com o conhecido motor monocilíndrico flex OHC de 162,7 cm³, refrigerado a ar e alimentado por injeção eletrônica PGM-FI. O propulsor entrega 14,4 cv a 8.000 rpm e 1,41 kgfm a 6.750 rpm com gasolina. Com etanol, a potência sobe para 14,7 cv, enquanto o torque chega a 1,43 kgfm nas mesmas rotações. O câmbio é manual de cinco marchas.

Trata-se de uma mecânica desenvolvida para privilegiar elasticidade, economia e durabilidade, não o desempenho absoluto. A CG responde de maneira satisfatória nas arrancadas, tem engates leves e permite rodar sem exigir constantemente as rotações mais altas. Em avenidas rápidas e rodovias, porém, os limites naturais de uma motocicleta de 160 cm³ aparecem, especialmente nas retomadas e ultrapassagens, que exigem maior planejamento.

Consumo é um dos principais argumentos

A economia de combustível continua sendo uma das maiores qualidades da CG. Dependendo do combustível utilizado, do trânsito, do peso transportado e da condução, a Titan pode registrar médias entre 35 e 45 km/l em uso real.

Com tanque de 14 litros, a autonomia pode superar teoricamente os 500 km em condições favoráveis. Mais importante do que alcançar uma média excepcional é a facilidade com que a motocicleta mantém números elevados no trânsito cotidiano, ambiente no qual boa parte das unidades é utilizada.

A adequação às normas do Promot 5 trouxe alterações de calibração na geração apresentada em 2025. Houve uma pequena redução de potência em comparação com o modelo anterior, mas o comportamento geral pouco mudou. O motor continua entregando respostas suficientes em baixas e médias rotações, com baixo consumo e manutenção simples.

Ciclística ficou mais refinada

A ciclística é um dos pontos que mais evoluíram na atual geração da Titan. A suspensão dianteira telescópica utiliza tubos de 33 mm e oferece 120 mm de curso. Na traseira, permanecem os dois amortecedores, agora combinados a uma balança redesenhada, de perfil retangular, com 106 mm de curso da roda.

Na prática, o conjunto conserva o acerto tradicional da CG, absorvendo buracos, valetas e irregularidades sem deixar a motocicleta excessivamente macia. A dianteira mais robusta também transmite maior precisão durante as mudanças de direção.

As rodas de liga leve de 18 polegadas recebem pneus sem câmara Michelin Pilot Street 2, nas medidas 80/100-18 na dianteira e 100/80-18 na traseira. É uma configuração coerente com as condições brasileiras, oferecendo comportamento previsível e boa capacidade para enfrentar pisos irregulares.

ABS dianteiro amplia a segurança

Uma das principais evoluções apresentadas em 2025 e mantidas na Titan 2026 foi a adoção do ABS. A versão topo de linha utiliza disco dianteiro de 240 mm, pinça de dois pistões e sistema antitravamento de um canal. Na traseira, há outro disco, de 220 mm, com pinça de pistão simples.

É uma diferença importante em relação às versões Start, Cargo e Fan, que utilizam o sistema combinado CBS. Embora o ideal fosse contar com ABS nas duas rodas, a proteção contra o travamento da dianteira já representa um avanço relevante para uma motocicleta utilizada diariamente no trânsito pesado.

A Titan também possui rodas com desenho exclusivo, enquanto toda a família passou a utilizar pneus sem câmara, uma vantagem prática principalmente em caso de perfuração.

Painel tem indicador de marcha e consumo

A atualização de 2025 também corrigiu uma antiga defasagem da CG. O painel digital Blackout da Titan passou a oferecer indicador de marcha engatada, conta-giros e computador de bordo com informação de consumo, além de velocímetro, hodômetros e marcador de combustível.

O indicador de marcha é especialmente útil para motociclistas iniciantes e durante o uso urbano. Trata-se de uma função que já vinha sendo popularizada por concorrentes chinesas nos segmentos de entrada e que finalmente passou a fazer parte da CG.

A Titan também traz tomada USB-C de série próxima ao painel, permitindo recarregar o telefone utilizado para navegação. Na CG 160 Fan, o recurso é oferecido como acessório.

Outro avanço está na iluminação. Titan e Fan utilizam farol e lanterna traseira de LED, enquanto toda a família CG passou a contar com LED na parte posterior. Os indicadores de direção, no entanto, continuam equipados com lâmpadas convencionais.

Dimensões facilitam o trânsito urbano

A CG 160 Titan tem aproximadamente 2,03 metros de comprimento, 747 mm de largura, 1,09 metro de altura e cerca de 1,31 metro de distância entre os eixos. O assento fica a aproximadamente 790 mm do solo, enquanto o peso seco é de 120 kg.

São números que ajudam a explicar sua facilidade de condução. O baixo peso e o guidão relativamente largo permitem mudar rapidamente de direção e simplificam as manobras em espaços apertados. Para quem trabalha com a motocicleta ou enfrenta congestionamentos diariamente, essas características podem ser mais relevantes do que alguns cavalos adicionais de potência.

Concorrência aumentou, mas a CG não se abala

Durante muitos anos, escolher uma motocicleta urbana na faixa de 150 ou 160 cm³ significava praticamente optar entre Honda e Yamaha. Hoje a concorrência é bem mais diversificada.

A Yamaha Factor 150 permanece como a adversária tradicional e integra a família YBR 150, que somou 38.961 unidades no primeiro semestre de 2026. A FZ15, com visual e proposta mais esportivos, registrou outros 19.699 emplacamentos no período.

Entre as marcas chinesas, a Haojue DK160 aposta em mecânica simples, preço competitivo e na estrutura comercial da JTZ/Suzuki, tendo registrado 6.261 unidades nos seis primeiros meses do ano. A Bajaj Pulsar N150 também começa a conquistar espaço e alcançou 4.248 emplacamentos no mesmo intervalo. A disputa ainda inclui modelos da Shineray destinados ao público mais sensível ao preço.

Mesmo com o aumento da concorrência, a CG 160 Titan não tenta ser a motocicleta mais potente ou mais equipada da categoria. Seu maior argumento continua sendo o equilíbrio. É leve, econômica, fácil de conduzir, possui uma mecânica amplamente conhecida e conta com uma das maiores redes de concessionárias do país.

A renovação promovida em 2025 também deixou a Titan mais atual. ABS dianteiro, discos nas duas rodas, iluminação de LED, pneus sem câmara, painel com indicador de marcha e consumo e tomada USB-C reduziram a distância que existia em relação a algumas rivais.

Os números mostram que a estratégia continua funcionando. Com mais de 260 mil unidades emplacadas pela família CG 160 somente nos primeiros seis meses de 2026, nenhuma outra motocicleta se aproxima de seu volume no mercado brasileiro. A Titan representa a interpretação mais completa de uma receita que, mesmo diante de adversárias mais numerosas e equipadas, continua praticamente imbatível.

 

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