Ibovespa supera 171 mil pontos pela primeira vez e dólar cai ao menor nível em mais de um mês
Fluxo de capital estrangeiro, valorização de blue chips e cenário externo favorecem mercado brasileiro

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O Ibovespa atingiu um marco histórico nesta quarta-feira (21) ao ultrapassar, pela primeira vez, os 171 mil pontos. O avanço foi impulsionado principalmente pela entrada de investidores estrangeiros e pela valorização das ações de grandes empresas listadas na B3, como Itaú, Vale, Bradesco, Eneva e Petrobras. No mercado de câmbio, o dólar encerrou o dia em queda de 1,13%, cotado a R$ 5,3196, o menor patamar em mais de um mês.
Sem indicadores econômicos relevantes no calendário doméstico, os investidores concentraram atenções no noticiário político e corporativo, tanto no Brasil quanto no exterior. As tensões entre Estados Unidos e Europa levaram parte do mercado global a buscar ativos em países emergentes, movimento que beneficiou diretamente a bolsa brasileira.
“Parte desse fluxo veio para o Brasil, onde as maiores empresas, as chamadas blue chips, como Itaú, Vale, Bradesco, Eneva e Petrobras, são vistas como mais resilientes”, afirma Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.
No cenário internacional, o mercado reagiu às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos. O republicano anunciou um recuo nas tarifas de 10% impostas à União Europeia, após negociações envolvendo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a Groenlândia. “Com base em uma reunião muito produtiva que tive com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, formamos a estrutura de um futuro acordo relacionado à Groenlândia e, na prática, a toda a região do Ártico”, afirmou Trump, em publicação no Truth Social.
Ainda segundo o presidente americano, “discussões adicionais estão em andamento sobre Domo de Ouro no que se refere à Groenlândia. Mais informações serão divulgadas à medida que as conversas avançarem”. O tema segue gerando cautela nos mercados, diante do embate político entre Washington e a União Europeia.
No Brasil, o noticiário foi impactado pela decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do Will Bank e integrante do conglomerado do Banco Master, liquidado em novembro. Em nota, o BC informou que a medida foi tomada devido ao “comprometimento da situação econômica” da instituição e à incapacidade de honrar suas obrigações financeiras.
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estima que os pagamentos a clientes e investidores do Will Bank possam alcançar R$ 6,3 bilhões. “A quantidade de clientes e o valor a ser pago serão divulgados após a referida consolidação das informações”, informou o fundo, destacando que os ressarcimentos seguirão as regras do limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ dentro do mesmo conglomerado financeiro.
Em Wall Street, os principais índices operavam em leve alta após um pregão anterior de fortes perdas. O S&P 500 subia 0,30%, o Nasdaq avançava 0,21% e o Dow Jones registrava alta de 0,33%, com investidores ainda atentos aos desdobramentos políticos e à divulgação de dados econômicos e balanços corporativos nos Estados Unidos.


