ICE atuou durante a Copa mesmo com promessas de não agir contra os torcedores
As prisões continuaram ainda nas cidades-sede do mundial como Newark, Houston e Kansas City

A polícia de imigração do governo dos Estados Unidos, a ICE, manteve operação contra imigrantes durante a Copa do Mundo, mesmo após confirmação de Donald Trump sobre não atuar contra torcedores durante o campeonato.
Abordagens e prisões foram realizadas nas proximidades de estádios e demais localidades das cidades-sede do Mundial. Às vésperas da final, um imigrante foi detido em via pública, a poucos quilômetros do estádio em Nova Jersey, onde será o palco da decisão da Copa.
Em Houston, no Texas, a operação terminou em tragédia. Na terça-feira (7), um mexicano identificado como Lorenzo Salgado Araujo, 52 anos, foi morto a tiro por um agente do ICE. Imagens divulgadas mostram a perseguição e a abordagem violenta, o caso está sendo investigado pelo FBI e pelo Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna.
Já em Kansas City, outra cidade-sede da Copa, foram contabilizadas 30 prisões realizadas pelo ICE, entre 15 de junho e 3 de julho. Entre elas está um homem que foi detido na frente dos quatro filhos enquanto cortava a grama de casa. Além desse caso, agentes mascarados cercaram um carro na rua e levaram o motorista preso.
Mais um episódio marcante aconteceu em Aurora, no Colorado, onde uma pessoa foi baleada durante um protesto em frente a um dos centros de detenção do ICE. O disparo não partiu de um agente mas reforçou o clima de violência em torno das operações da agência durante a Copa do Mundo.
Esses casos contrastam com a afirmação do governo de que mudaria a postura durante o Mundial. Antes da Copa, o vice-presidente JD Vance disse que os visitantes poderiam transitar tranquilamente nos EUA, mas que deveriam deixar o país com o vencimento dos vistos. O governo confirmou que o ICE estaria nos eventos apenas para segurança, combate ao tráfico de pessoas e à falsificação de produtos.
Com as ações violentas e contraditórias da polícia imigratória, autoridades locais e integrantes da Fifa ficaram em alerta. De acordo com o The New York Times, dirigentes da Fifa chegaram a cogitar a solicitação de uma suspensão temporária das ações da ICE para Trump.


