Justiça manda soltar presidente da UPBus, acusada de ligação com PCC
Ubiratan havia sido preso pela última vez em abril do ano passado

Foto: Reprodução/TV Globo
A Justiça de São Paulo decidiu revogar a prisão do presidente afastado da empresa de ônibus UPBus, Ubiratan Antonio da Cunha. Ele é réu na ação que julga a suspeita de que a empresa integra um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) investigado na operação Fim da Linha. A decisão ocorreu após uma audiência do caso nesta quinta-feira (8).
Ubiratan havia sido preso pela última vez em abril do ano passado, após se entregar no 50º DP (Itaim Paulista), na zona leste da capital paulista. Naquela ocasião, a Justiça entendeu que ele havia descumprido uma ordem para se manter longe da empresa. Ele teria sido filmado em frente à garagem da UPBus.
Ele se declara inocente das acusações de lavagem de dinheiro e organização criminosa, e a defesa dele alega que a medida cautelar não havia sido descumprida. Ubiratan também foi preso em duas ocasiões anteriores, em 2024, por descumprimento de ordens para que ele se afastasse da direção da empresa.
A notícia da soltura foi publicada inicialmente pelo UOL e confirmada pela reportagem. O Ministério Público de São Paulo, responsável pela acusação contra a UPBus -assim como contra a Transwolff, que também é alvo da Fim da Linha-, afirmou que vai recorrer da decisão.
O advogado de Ubiratan, Anderson Minichillo, afirma que a soltura dele é esperada para esta sexta-feira (9).
A decisão de soltura também se estende a Alexandre Salles Brito, o Buiu, e ao advogado Ahmed Hassan Saleh, sócios da UPBus, segundo informações repassadas à reportagem pela defesa.
Saleh deve permanecer preso, uma vez que ele também foi alvo de mandado de prisão por suspeita de envolvimento num caso de corrupção policial conectado à morte do delator Antônio
Vinícius Lopes Gritzbach, fuzilado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em novembro de 2024.
As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo apontam que membros do PCC colocaram dinheiro e veículos na UPBus para que a empresa conseguisse participar de uma licitação para o transporte coletivo paulista que exigia um valor mínimo de R$ 19 milhões.
Segundo Minichillo, o juiz do caso -Antonio Carlos Costa Pessoa Martins, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital- também pediu uma perícia contábil na UPBus para checar a acusação de entrada de dinheiro ligada ao crime organizado na empresa.
O caso tramita em segredo de Justiça e a decisão de soltura ainda não foi publicada em diário oficial.
"Ubiratan foi preso por uma mentira. É mentira que ele violou a medida cautelar", afirmou o advogado.
"Estou sofrendo uma acusação de lavagem de dinheiro e organização criminosa que nunca existiu", disse Ubiratan num vídeo que gravou na noite em que se entregou, em abril do ano passado. "Em nenhum momento eu interferi na empresa."


