Livro fala quanto um curso técnico aumenta o salário de um profissional

De acordo com estudo, remuneração pode ser 32% maior para quem conclui educação profissional e tecnológica

[Livro fala quanto um curso técnico aumenta o salário de um profissional]

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um compilado de 16 estudos nacionais e internacionais concluiu que há aumento de 32% na remuneração recebida ao longo da vida de profissionais que concluem o ensino técnico. A revisão feita pelo pesquisador do Insper, Ricardo Paes de Barros e outros colegas, resultou no livro que será lançado nesta quarta-feira (29).

A pesquisa ainda indica que o ensino técnico eleva a probabilidade de ocupação dos trabalhadores em 7,6 pontos percentuais, em comparação com aqueles que fizeram o ensino médio regular. “O jovem vai ficar menos tempo desempregado, vai trabalhar um número maior de horas e ainda ganhar mais por essas horas”, diz Paes de Barros. “A evidência disponível é absolutamente unânime em apontar a educação técnica como investimento social extremamente rentável”, conclui o estudo Impacto da Educação Técnica sobre a Empregabilidade e a Remuneração, feito em parceria com o Itaú Educação e Trabalho e o Instituto Unibanco.

Outro estudo do Insper revelou que ampliar a quantidade de alunos no ensino técnico tem um impacto positivo de até 2,32% no PIB brasileiro. “Precisamos, com urgência, propor um caminho para que os jovens consigam se desenvolver profissionalmente. Temos 50 milhões de jovens de 15 a 29 anos no País e, para 76% deles, o ensino superior não é uma realidade”, diz a superintendente do Itaú Educação e Trabalho, Ana Inoue. Para ela, o estudo mostra evidências da necessidade do investimento em educação profissional e tecnológica. “Teremos mais gente trabalhando e com boa qualificação, um retorno muito positivo para a pessoa e para o desenvolvimento do País”, afirma. O ensino técnico também é visto como uma forma de dar significado à escola para o adolescente e ser um grande mobilizador entre teoria e prática. O estudo do Insper fala de como a “exposição a temas profissionais e tecnológicos pode dar concretude ao currículo do ensino médio”, evitar o abandono e “promover maior aprendizado nas áreas de conhecimento tradicionais”.

Países desenvolvidos, que têm os melhores resultados em avaliações internacionais de educação, investem muito para que os alunos cursem o ensino profissional junto com o médio. No Brasil, só 10% dos alunos estão matriculados no técnico, quando a taxa é de 68% na Finlândia e de 49% na Alemanha. A ampliação da modalidade é encarada como prioridade pelo Ministério da Educação (MEC), mas há críticas sobre como a carga horária foi definida na reformulação do novo ensino médio, enviada ao Congresso pelo governo no mês passado. O técnico é uma das opções que as escolas estaduais podem oferecer no novo ensino médio, que prevê currículo de carga horária mais flexível, com parte do conteúdo a ser escolhido pelo aluno. 


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