Maria Clara Seixas afirma que interpretação jurídica segue sendo essencialmente humana, apesar do avanço da IA
Especialista destaca papel da linguagem e incentiva profissionais a enxergarem tecnologia como aliada no Direito

Foto: FB Comunicações
Em novo episódio do Sobretudo, exibido na última quinta-feira (9), o apresentador Matheus Oliva recebeu a especialista em Direito Digital de Inteligência Artificial, Maria Clara Seixas, para discutir os impactos da tecnologia no campo jurídico. Durante a entrevista, a convidada ressaltou que, apesar dos avanços tecnológicos, a essência da atividade jurídica permanece ligada à interpretação humana.
Ao abordar o tema, Seixas destacou que uma das principais características do Direito é a possibilidade de evolução por meio da interpretação. "E para mim, uma das belezas do universo jurídico é exatamente você ter possibilidade de interpretação que vai evoluir ao longo do tempo. Isso é essencialmente humano, né?"
Segundo ela, o trabalho jurídico está diretamente ligado à linguagem, o que reforça seu caráter humano. "A nossa atividade ainda é uma atividade essencialmente humana. Primeiro que o nosso instrumento de trabalho é linguagem, e a linguagem é humana."
A especialista também pontuou que, mesmo com o avanço das ferramentas de Inteligência Artificial, aspectos como nuances, vieses e construção de sentido ainda dependem da atuação humana. "A gente ainda é dono das nuances, das interpretações, dos vieses, o processo hermenêutico de construção de entendimento é jurídico."
Apesar disso, Seixas defendeu que a tecnologia deve ser vista como uma aliada, especialmente para as novas gerações de profissionais. "Ela não é um inimigo, é ao contrário, ela vai ajudar a enxergar essa beleza que você falou de uma maneira mais integrada, o mundo vai ficar muito mais integrado."
Por fim, a especialista incentivou uma postura mais aberta diante das transformações tecnológicas, destacando o papel do pioneirismo na área. "Então vamos pegar esse negócio aí, vamos levar isso para cima, vamos levar isso para frente. Acho que esse é um grande recado que deve ser dado para quem está com medo da inteligência artificial."
O episódio reforça a importância de adaptação e atualização no setor jurídico, ao mesmo tempo em que evidencia o papel central do fator humano na interpretação e aplicação do Direito.


