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Mensagens indicam negociação de R$ 10 mi por ano entre Banco Master e CNN Brasil para combinar perguntas de entrevista, diz reportagem

Emissora nega que o banqueiro tenha sido sócio e afirma preservar a independência editorial

Por Da Redação
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Mensagens indicam negociação de R$ 10 mi por ano entre Banco Master e CNN Brasil para combinar perguntas de entrevista, diz reportagem

Foto: Reprodução/ICL Notícias

Mensagens divulgadas pelo portal ICL Notícias e atribuídas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Ana Matos, responsável pelo marketing da instituição, indicam discussões sobre investimentos publicitários na CNN Brasil e tentativas de alinhar a participação de representantes do banco em entrevistas e conteúdos sobre a instituição financeira.

Segundo a reportagem, as conversas mencionam um investimento anual de R$ 10 milhões em publicidade na emissora, um pedido de patrocínio de R$ 4 milhões para o evento "CNN Talks" e tratativas relacionadas ao lançamento do canal CNN Money.

A CNN Brasil negou que Vorcaro tenha sido sócio da emissora ou do CNN Money. Em nota, afirmou que o Banco Master foi anunciante, com veiculação de publicidade em intervalos comerciais e plataformas digitais, e que os contratos comerciais são protegidos por cláusulas de confidencialidade.


Mensagens sobre entrevista ao vivo

No dia 3 de abril de 2025, seis dias após o anúncio da operação de compra de 58% do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), Vorcaro conversou com Ana Matos sobre a possibilidade de conceder uma entrevista à CNN Brasil para tratar do balanço e da operação.

Às 7h26, ele escreveu que havia conversado com João Camargo, então presidente do conselho da emissora, e que considerava necessário ir ao canal para falar sobre os resultados do banco e a negociação com o BRB.

Ana Matos respondeu que a entrevista poderia ocorrer às 18h e defendeu que as perguntas fossem previamente discutidas. “A gente dizer o que queremos falar. Tudo combinado. 100%. Eu vou com vc”, escreveu, segundo os registros divulgados pelo ICL Notícias.

Foto: Reprodução/ICL Notícias
 

A executiva também mencionou o jornalista Fernando Nakagawa, que chefiava a editoria de Economia da CNN Brasil. Nas mensagens, ela ponderou que Camargo era próximo de diferentes pessoas e que poderia haver mais de uma agenda envolvida nas conversas.

Vorcaro optou por enviar Paulo Gala, então economista-chefe do Banco Master, em seu lugar. “Tá muita batida em mim. Vamos deixar poeira abaixar na semana que vem eu entro”, escreveu o banqueiro.

A entrevista de Gala foi transmitida ao vivo pelo CNN Money. Posteriormente, a CNN Brasil publicou uma reportagem intitulada “Venda para BRB beneficia ambas as partes, diz economista-chefe do Master”, com declarações favoráveis à operação.

Em resposta ao ICL Notícias, Nakagawa afirmou que conduziu a entrevista normalmente e negou se lembrar de interferências na pauta ou imposições de perguntas. Segundo o jornalista, foram abordados temas potencialmente desfavoráveis ao banco, incluindo a sustentabilidade da oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração de 140% do CDI, a busca por um sócio e as críticas ao uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Nakagawa também declarou que desconhecia questões relacionadas à área comercial e a assuntos societários da empresa.


Tratativas para o lançamento do CNN Money

As conversas divulgadas também mencionam negociações sobre a participação do Banco Master no lançamento do CNN Money, em novembro de 2024.

Em 18 de setembro daquele ano, Vorcaro escreveu a Ana Matos que estava negociando sua entrada na CNN com Rubens Menin, controlador da emissora. Na mesma mensagem, afirmou que precisaria da aprovação do canal e mencionou a possibilidade de integrar o conselho editorial.

Foto: Reprodução/ICL Notícias
 

Dias depois, a executiva encaminhou uma proposta comercial para que o Master participasse como “sócio fundador” do novo canal, com exposição da marca em mídias, eventos e outdoors. A proposta inicial previa R$ 12 milhões por 12 meses.

Ana sugeriu, então, redirecionar para o CNN Money os R$ 10 milhões anuais que, segundo ela, já eram investidos em publicidade na CNN News. Também propôs exclusividade para o banco em determinadas cotas de patrocínio e a participação de um representante na avaliação do conteúdo editorial.

“Faria uma black list de quem não pode patrocinar. Colocaria alguém – pode ser eu – para entender conteúdo editorial do canal pra ver nossos interesses”, escreveu a executiva, conforme a reportagem.

Vorcaro respondeu: “Concordo com tudo”.

Foto: Reprodução/ICL Notícias
 

Em outubro de 2024, Ana Matos relatou que o vice-presidente da CNN, Cris Moreira, havia informado que o banco já teria feito o primeiro aporte como acionista. As mensagens divulgadas, contudo, não esclarecem de forma conclusiva como a negociação foi encerrada.

Foto: Reprodução/ICL Notícias

A CNN Brasil nega que Vorcaro tenha integrado o quadro societário da empresa ou do CNN Money e afirma que Rubens Menin é seu único controlador.


Patrocínio do CNN Talks

Outro conjunto de mensagens trata do patrocínio do CNN Talks, evento organizado pela emissora para reunir autoridades e empresários em debates sobre a economia e o setor produtivo.

Em 19 de agosto de 2024, Ana Matos informou a Vorcaro que João Camargo havia solicitado R$ 4 milhões para o patrocínio de um evento. A executiva questionou o valor e perguntou se a proposta poderia estar relacionada à criação do CNN Money.

“Eles me mandaram 4mm de patrocínio. Com a mensagem: Ana, consegue chegar em 4K? Achei muito”, escreveu.

Vorcaro reagiu: “Que isso”. Em seguida, pediu que ela negociasse o valor.

Foto: Reprodução/ICL Notícias
 

Pouco depois, Ana informou ter fechado o patrocínio por R$ 1 milhão. Segundo as mensagens, a participação de Vorcaro no evento acabou cancelada após ele saber que o presidente do Bradesco, Marcelo de Araújo Noronha, não participaria do mesmo painel.

Em outra conversa, de 29 de setembro de 2024, Ana comentou sobre os pedidos de recursos feitos por executivos da emissora: “A CNN me parece outro saco sem fundo de querer grana. Kk”.

Foto: Reprodução/ICL Notícias
 

Dois dias depois, ela voltou a tratar do assunto e afirmou que não haveria um novo investimento, mas uma realocação dos recursos já destinados à CNN News para o CNN Money.


Posição da emissora

Em nota, a CNN Brasil afirmou que Vorcaro nunca foi sócio da CNN Brasil ou do CNN Money. A emissora declarou que o Banco Master foi anunciante e que os contratos comerciais seguiram o modelo convencional de veiculação publicitária.

A empresa também afirmou que Vorcaro não concedeu entrevistas à CNN Brasil ou ao CNN Money fora do CNN Talks, que classificou como produto comercial organizado pelo departamento responsável da emissora. Segundo a nota, os painéis desses eventos são construídos em conjunto com marcas patrocinadoras e identificados ao público como conteúdo patrocinado.

A CNN declarou ainda que a redação não participa da concepção dos eventos comerciais e realiza apenas a cobertura jornalística. A emissora ressaltou que os executivos responsáveis pela gestão e pela área comercial no período deixaram a empresa em agosto de 2025.

Por fim, afirmou que mantém a separação entre as áreas comercial e editorial e que anunciantes não interferem nas decisões jornalísticas.


Desdobramentos do caso Master

O Banco Central rejeitou, em setembro de 2025, a aquisição do Banco Master pelo BRB. Em novembro daquele ano, determinou a liquidação extrajudicial da instituição financeira.

Daniel Vorcaro foi preso em março de 2026, segundo o texto-base da reportagem. As mensagens divulgadas pelo ICL Notícias acrescentam novos elementos às discussões sobre as relações comerciais entre o banco e a emissora, mas não comprovam, isoladamente, que tenha ocorrido interferência efetiva na cobertura jornalística.


Confira nota divulgada pelo CNN na íntegra:
 

"A CNN Brasil esclarece que Daniel Vorcaro nunca foi sócio da CNN Brasil ou do CNN Money. A emissora tem um único controlador, Rubens Menin. O Banco Master foi anunciante da CNN Brasil, com entregas de mídia convencionais nos intervalos comerciais e nas plataformas digitais. Os valores dos contratos comerciais são protegidos por cláusulas de confidencialidade, política aplicada a todos os anunciantes.

Vorcaro nunca concedeu entrevista à CNN Brasil ou ao CNN Money fora do CNN Talks – produto comercial, organizado desde sua criação pelo departamento comercial da emissora. Seus painéis são construídos em conjunto com as marcas parceiras e identificados ao público como conteúdo patrocinado. A redação não participa da concepção desses eventos e realiza apenas a cobertura jornalística. Os executivos que estavam à frente da CNN Brasil e de sua área comercial durante o período em que o Banco Master foi anunciante deixaram a empresa em agosto de 2025, meses antes da prisão de Daniel Vorcaro e da liquidação do banco.

A atual gestão mantém e fortalece a separação entre as áreas comercial e editorial, portanto, anunciantes não interferem nas decisões editoriais da CNN Brasil. Desde a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a emissora vem realizando cobertura jornalística contínua sobre o caso e seus desdobramentos.

A CNN Brasil reitera seu compromisso com a independência editorial, a transparência e os princípios éticos que orientam sua atuação jornalística, mantendo a clara separação entre suas áreas comercial e editorial."

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