"Muito otimista", diz Lula sobre expectativas para conversa com Trump
Encontro ainda não tem data marcada

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou em coletiva de imprensa neste domingo (22) sobre expectativas para o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião ainda não tem data definida.
Entre os principais temas que devem ser discutidos, estão os minerais de terras raras, comércio exterior, investimento, crime organizado, e cooperação em segurança pública.
O presidente está na Índia desde esta quinta (19), onde participou de fórum sobre inteligência artificial e reuniões com outros líderes presentes no evento. Neste domingo (22), Lula viajou para Seul, capital da Coreia do Sul, onde se reunirá com o presidente Lee Jae Myung e com executivos de empresas sul-coreanas.
Na coletiva, Lula afirma que a reunião com Trump terá uma longa pauta e que cooperação na segurança é um dos pontos principais. Ele afirma que está "muito otimista" e defende que os dois países mantenham uma relação "altamente civilizada e respeitosa".
“Se tem uma coisa que nós precisamos trabalhar juntos é no combate ao narcotráfico, ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro”, disse.
Lula afirmou que pretende levar para a reunião com Trump representantes da Receita Federal, da Polícia Federal, e dos Ministérios da Justiça e Fazenda, para discutir a questão da segurança pública. Segundo o presidente, o objetivo é estruturar uma cooperação no combate ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas e ao crime organizado internacional.
“Vou levar minha Polícia Federal, meu ministro da Justiça, a Receita. Eles levam o FBI, a CIA, o Departamento de Justiça deles”, disse.
O presidente classifica o crime organizado como "empresa multinacional altamente sofisticada", com atuação internacional e infiltração em diversas áreas.
"Tem braço no poder Judiciário, tem braço no futebol, tem braço na política, tem braço no empresariado", afirma.
Lula afirma que o Brasil tem estruturas para combate ao crime organizado na fronteira amazônica por meio de cooperações com os países vizinhos, e que está disposto a articular uma colaboração com os EUA.
Ele afirma que já tratou sobre o tema com o presidente americano ao menos três vezes e que enviou a autoridades americanas documentos, fotos e nomes de investigados. Ele exemplificou com um caso de contrabando de combustíveis, em que o governo brasileiro enviou informações sobre suspeitos que estariam em território americano.
“Eu espero que depois dessa reunião a gente possa garantir que volte a ter uma relação altamente civilizada, altamente respeitosa e que a gente não vai deixar de conversar por telefone quando tiver qualquer novidade entre Brasil e Estados Unidos. E eu quero também dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova guerra fria”, afirmou.
Além disso, Lula acredita num diálogo justo com Trump: Nós somos as duas maiores democracias da América Latina, nós somos dois homens com 80 anos de idade, portanto a gente não pode ficar brincando de fazer democracia. A gente tem que tratar com muita seriedade. Eu disse por telefone ao presidente Trump: é preciso a gente pegar um na mão do outro, olhar um no olho do outro pra gente ver o que a gente quer entre Brasil e Estados Unidos. E não tem veto, não tem nada proibido na mesa de negociação. Vamos colocar todos os temas na mesa de negociação”.


