O fim de uma era: Messi, Cristiano, Neymar, Modrić e Neuer podem disputar última Copa
Messi, Cristiano Ronaldo e Ochoa caminham para a sexta Copa da carreira, enquanto Modrić, Neuer e Neymar podem viver a despedida dos Mundiais.

Foto: Arte - Farol da Bahia
Quando a bola rolar para a Copa do Mundo de 2026, o futebol viverá um momento raro. Pela última vez, uma geração que dominou o esporte por quase duas décadas dividirá o mesmo palco em um Mundial. Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Luka Modrić, Manuel Neuer, Guillermo Ochoa e Neymar chegam ao torneio cercados pela possibilidade de uma despedida histórica das Copas do Mundo.
Ao longo dos últimos 20 anos, os seis estiveram entre os protagonistas de algumas das imagens mais marcantes do futebol internacional. Foram títulos, recordes, finais, decepções e momentos que atravessaram gerações. Agora, em diferentes fases da carreira, todos se aproximam de um mesmo ponto: a possibilidade de disputar o último Mundial de suas trajetórias.
O caso mais impressionante envolve Messi, Cristiano Ronaldo e Ochoa. Os três estiveram na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, e duas décadas depois caminham para uma marca jamais alcançada por qualquer jogador. Se confirmados nas listas finais, disputarão o sexto Mundial da carreira, superando nomes históricos como Lothar Matthäus, Gianluigi Buffon, Rafael Márquez e Antonio Carbajal, todos presentes em cinco edições.
Aos 38 anos, Messi desembarca na América do Norte com uma tranquilidade que não carregava em torneios anteriores. Depois de uma carreira repleta de títulos individuais e coletivos, o argentino finalmente conquistou o maior objetivo em 2022, quando liderou a Argentina rumo ao tricampeonato mundial no Catar. Antes disso, acumulou frustrações que pareciam improváveis para um jogador de seu tamanho, incluindo a derrota para a Alemanha na final da Copa de 2014, no Brasil. Agora, entra em campo sem a pressão de quem precisa provar algo, mas com a oportunidade de ampliar ainda mais um legado que já parece intocável.
Cristiano Ronaldo chega ao Mundial em uma situação diferente. Aos 41 anos, continua sendo o principal símbolo da seleção portuguesa e segue perseguindo o único grande título que ainda falta em sua coleção. Desde a estreia em Copas, em 2006, participou de momentos históricos do futebol português, mas jamais conseguiu levar o país além da quarta colocação conquistada justamente naquele primeiro Mundial. A edição de 2026 pode representar sua última oportunidade de buscar um feito inédito para Portugal.
Menos midiático, mas igualmente emblemático, Guillermo Ochoa construiu uma relação única com as Copas do Mundo. O goleiro mexicano esteve presente em todas as edições desde 2006 e se transformou em personagem recorrente do torneio graças a atuações memoráveis diante de algumas das seleções mais fortes do planeta. Mesmo sem conquistar grandes campanhas com o México, se tornou um dos rostos mais reconhecíveis dos Mundiais e agora também se prepara para alcançar a marca histórica de seis participações.
Se Messi, Cristiano e Ochoa representam a longevidade máxima da geração, Luka Modrić simboliza a resistência. Aos 40 anos, o croata continua sendo a referência técnica e emocional de uma seleção que viveu os melhores momentos de sua história recente sob seu comando. Vice campeão mundial em 2018 e semifinalista em 2022, o meio campista transformou a Croácia em protagonista e consolidou uma carreira que o colocou entre os maiores jogadores de sua posição neste século.
Outro nome que atravessou gerações é Manuel Neuer. Aos 40 anos, o goleiro alemão segue como uma das maiores referências da posição e ajudou a redefinir a forma de jogar dos arqueiros modernos. Campeão mundial em 2014, no Brasil, foi peça fundamental em uma das seleções mais dominantes dos últimos tempos. Entre os nomes desta lista, apenas ele e Messi já levantaram a taça mais importante do futebol.
A relação do Brasil com essa geração passa inevitavelmente por Neymar. Aos 34 anos, ele é o mais jovem entre os seis protagonistas, mas também chega cercado por expectativas de despedida. A Copa de 2026 surge como a oportunidade de encerrar uma trajetória iniciada em 2014 e marcada por lesões, grandes atuações e eliminações dolorosas. Principal jogador brasileiro de sua geração, o camisa 10 ainda busca a conquista que escapou em quatro ciclos consecutivos da Seleção.
O Mundial de 2026 também servirá como uma ponte entre eras. Enquanto jovens talentos começam a ocupar espaço entre os protagonistas do futebol mundial, nomes que dominaram manchetes, premiações e decisões durante quase duas décadas caminham para os capítulos finais de suas histórias em Copas do Mundo.
Durante anos, eles representaram o presente do futebol. Em 2026, entrarão em campo sabendo que podem estar vivendo os últimos momentos de uma jornada que atravessou gerações, redefiniu carreiras e ajudou a construir algumas das lembranças mais marcantes da história dos Mundiais. Para Messi, Cristiano Ronaldo, Modrić, Neuer, Ochoa e Neymar, a Copa pode ser mais do que uma disputa por um título. Pode ser a despedida de uma geração inesquecível.


