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Pacientes relatam espera de mais de um ano para agendar exames no sistema de saúde da Prefeitura de Salvador

A governanta de hotel, Lucilene dos Santos, aguarda há 384 dias o procedimento de colonoscopia para saber se tem câncer de colorretal ou pólipos intestinais

Por Emilly Lima
Às

Pacientes relatam espera de mais de um ano para agendar exames no sistema de saúde da Prefeitura de Salvador

Foto: Arquivo Pessoal/ Jefferson Peixoto/Secom/ Arquivo Pessoal

No último dia 8 de janeiro completou um ano que a governanta de hotel, Lucilene dos Santos, de 47 anos, fez a solicitação na unidade de saúde da Prefeitura de Salvador para realizar o procedimento de colonoscopia. Desde então, mensalmente, por pelo menos três vezes no mês ela consulta o sistema Vida + Saúde, preenche as informações com o número do cartão do SUS [Sistema Único de Saúde] e o de protocolo, mas a resposta é sempre a mesma: aguardando agendamento. 

A profissional afirmou que está na espera da marcação do procedimento para receber um diagnóstico. "Eu estou no aguardo dessa marcação há mais de um ano. Eu preciso realizar para saber se tenho câncer de colorretal, pólipos intestinais ou colorretal. Eu já tive pólipos no intestino e, por esse motivo., eu tenho que fazer o procedimento novamente", explicou ao Farol da Bahia a necessidade do agendamento breve. 

A mesma situação se repete com a aposentada Jucilene Oliveira, de 64 anos, que está há 243 dias na espera pelo agendamento de uma ressonância magnética de membro inferior pela Prefeitura de Salvador. Ela deu entrada na solicitação no dia 29 de maio do ano passado e segue na espera pela realização do exame. "Eu preciso fazer esse procedimento porque eu tenho um cisto no joelho. Eu acompanho o agendamento através do posto de saúde, sempre vou no balcão do posto para verificar se já foi autorizado ou não", relatou à reportagem.

O Farol da Bahia procurou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da capital baiana para questionar o tempo médio de espera entre a solicitação e o agendamento de exames pelo sistema da Prefeitura e foi informado que todo o procedimento varia de acordo com "o perfil de acesso, a complexidade assistencial e a classificação clínica atribuída ao paciente no momento da regulação."

"A maioria dos procedimentos regulados de média e alta complexidade — como cateterismo cardíaco, polissonografia, cintilografias, litotripsia, diversos segmentos de ressonância magnética e tomografia computadorizada, tratamentos oftalmológicos, procedimentos cirúrgicos eletivos e tratamentos oncológicos — possui acesso garantido em tempo oportuno, com prazos que, em geral, variam entre 30 e 90 dias, a depender da complexidade e da oferta disponível. Procedimentos específicos, como a colonoscopia e a ressonância magnética de abdome, podem apresentar tempos de espera mais prolongados, os quais variam conforme a prioridade clínica definida pela equipe médica da Central Municipal de Regulação", disse a SMS.

A reportagem também questionou o número de pacientes que aguardam na fila para a realização de exames na rede municipal de saúde e, sem informar números e dados, a Secretaria disse que "o quantitativo de pacientes em fila de espera varia conforme o tipo de exame ou procedimento solicitado".

"Ressalta-se que um mesmo usuário pode aguardar simultaneamente por mais de um procedimento, o que inviabiliza a divulgação de um número absoluto único sem risco de distorção da informação. As filas para exames e procedimentos regulados são permanentemente monitoradas pela Central Municipal de Regulação, por meio do Sistema Vida+, permitindo análises contínuas para subsidiar estratégias de reorganização do acesso e ampliação da oferta assistencial", informou. 

Pacientes avaliaram pagar por exames 

Questionadas se chegaram a avaliar a possibilidade de pagar pelo exame em unidades particulares, as denunciantes confirmaram o desejo, mas pontuaram que, por serem procedimentos médicos complexos e mais caros, não conseguiram seguir adiante por causa das condições financeiras. 

"Eu já pensei em fazer exames particulares, mas no momento o meu financeiro não permite fazer porque é um exame caro. Por ser ressonância, é um exame mais carinho", disse Jucilene.

A resposta não é muito diferente de Lucilene, que também argumentou que o procedimento que necessita é muito caro. "Eu já tentei fazer particular, mas o valor do exame é muito caro, então por isso que eu ainda estou no aguardo desse agendamento, que já tem mais de um ano", pontuou. 

Demanda reprimida é um dos fatores da espera 

De acordo com a SMS, a demanda reprimida e a limitação estrutural da oferta de alguns dos exames é um dos fatores da espera prolongada para o agendamento de procedimentos na rede municipal. Além disso, as exigências técnicas necessárias para a execução de um exame também foi apontado como razão da espera superior a um ano. 

A Secretaria também informou que a ausência do paciente do dia agendado compromete o aproveitamento das vagas disponíveis, o que afeta o tempo de espera de outros usuários. "No caso da colonoscopia, por exemplo, trata-se de um exame que demanda preparo específico do paciente, equipe especializada e estrutura adequada, o que impacta diretamente a capacidade de oferta. Além disso, a Secretaria enfrenta um cenário relevante de absenteísmo, que pode alcançar cerca de 40% em procedimentos de alta complexidade", explicou.

Diante das reclamações das pacientes, a SMS afirmou que reconhece os desafios relacionados ao tempo de espera para alguns procedimentos específicos e pontuou que essa é uma realidade observada em todo o país. "Para enfrentar esse cenário, o município mantém monitoramento permanente das filas, revisão contínua dos fluxos regulatórios, adoção de critérios clínicos de priorização e estratégias para qualificação do uso das agendas, incluindo ações voltadas à redução do absenteísmo", disse.

"Além disso, a Secretaria está inserida em um processo de fortalecimento da atenção especializada, em articulação com iniciativas federais recentes voltadas à ampliação do acesso e à redução do tempo de espera, cujos efeitos devem ser percebidos de forma progressiva pela população", concluiu. 

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