Pele Alvo: estudo da Rede de Observatórios da Segurança aponta que cerca de 94% das vítimas mortas em ações policiais na Bahia eram negras
Dos 365 dias de 2025, a Bahia contabilizou mortes decorrentes de intervenções de agentes públicos de segurança em 346 deles

Foto: Reprodução / PC-BA
De acordo com o estudo "Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã", elaborado pela Rede de Observatórios da Segurança, a população negra, englobando pretos e pardos, representa aproximadamente 93,9% das vítimas fatais em ações policiais na Bahia.
O relatório, apresentado nesta quarta-feira (1º), examina as estatísticas de 2025 relativas à Bahia, Amazonas, Ceará, Pará, Pernambuco, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Proporcionalmente, o percentual de vítimas negras mortas é mais alto do que a proporção de negros residentes no estado, que atinge 79,7%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE).

Os números levantados pela Rede de Observatórios da Segurança apontam que, dos 365 dias de 2025, a Bahia contabilizou mortes decorrentes de intervenções de agentes públicos de segurança em 346 deles. A exemplo do cenário identificado nas demais regiões avaliadas, o perfil predominante dos mortos é composto por homens jovens, de até 29 anos, moradores de favelas e bairros periféricos.
No último ano, as intervenções policiais na Bahia resultaram em 1.243 mortes. Esta é a quinta vez consecutiva que a Bahia passa dos mil mortos em ações policiais, com base nos dados levantados pela Rede de Observatórios da Segurança. Desse total, o grupo mais afetado foi o de jovens de 18 a 29 anos, com 1.043 vítimas, seguido por 280 pessoas na faixa dos 30 aos 39 anos e 152 adolescentes entre 12 e 17 anos.


