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Percepção de corrupção: Brasil repete pela segunda vez a pior nota da série histórica em índice global

Em um escala de 0 a 100, país marcou 35 pontos e fica na 107° posição entre 182 países e territórios avaliados

Por Da Redação
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Percepção de corrupção: Brasil repete pela segunda vez a pior nota da série histórica em índice global

Foto: Reprodução/Flickr

O Brasil manteve a segunda pior nota da série histórica no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) em 2025. Esse levantamento é considerado o principal ranking internacional sobre corrupção, publicado desde 1995, onde a Transparência Internacional mede como especialistas e executivos enxergam o nível de corrupção no setor público.

O país marcou 35 pontos, numa escala que vai de 0 a 100 (quanto menor a nota, pior a percepção), e ficou na 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados. Em 2024, o Brasil havia registrado 34 pontos, houve alta de um ponto - mas, segundo a organização, essa variação é esteticamente insignificante, o que indica estagnação. 

Com 35 pontos, o Brasil segue abaixo de duas referências do levantamento: 

média global: 42 pontos
média das Américas: 42 pontos

Os países mais bem colocados em 2025 foram:

Dinamarca (89 pontos)
Finlândia (88 pontos)
Cingapura (84 pontos)

Na outra ponta, os piores foram:

Somália (9 pontos)
Sudão do Sul (9 pontos)
Venezuela (10 pontos)

Além do índice, a Transparência Internacional divulgou nesta terça-feira um relatório chamado "Retrospectiva 2025", que faz uma análise qualitativa sobre avanços e retrocessos do Brasil no combate à corrupção do último ano. Segundo a análise, houve um agravamento da infiltração do crime organizado no Estado, principalmente por meio de corrupção em dois setores da economia formal: 

  • Sistema Financeiro;
  • Advocacia.

Ao mesmo tempo, o relatório aponta que o país avançou no uso de inteligência financeira para atacar redes sofisticadas de lavagem de dinheiro.

A retrospectiva menciona uma sequência de operações e escândalos que marcaram 2025, entre eles:

  • Operação que apurou suspeitas de comércio de sentenças no STJ;
  • Operação Overclean, da PF, que investigou desvios de emendas, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos;
  • Operação Sem Desconto, da PF, que revelou um esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS;
  • Operação Carbono Oculto, também da PF, que apontou sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro com atuação em fintechs, fundos e setor de combustíveis;
  • Operação Compliance Zero, que embasou as apurações sobre o caso Master, descrito pela entidade como a maior fraude bancária já registrada no país;

Ainda conforme o relatório, o governo federal falhou na resposta ao escândalo do INSS, citando demora na adoção de medidas e críticas à substituição do ministro da Previdência. Além disso, as investigações apontaram continuidade do esquema em diferentes gestões, com envolvimento de atores nos governos Temer, Bolsonaro e Lula. 

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Episódios ligados ao caso Master também foram citados pela Transparência Internacional, afirmando que houve tentativas de influência que atravessariam os três poderes. Por fim, deram duas oportunidades para o país retomar uma agenda anticorrupção: 

  • a mobilização social que barrou a chamada “PEC da Blindagem”
  • a coincidência de perfis considerados reformistas no comando dos cinco tribunais superiores

A entidade defende que esse cenário pode abrir espaço para medidas como a criação de um código de conduta na cúpula do sistema de Justiça.

Nota da CGU

A Controladoria-Geral da União (CGU) informou ao g1, por meio de nota, que o índice "não mede  a ocorrência real de corrupção, nem avalia políticas públicas de enfrentamento, investigações ou resultados institucionais", e se baseia em percepções de "grupos específicos". Confira: 

"A Controladoria-Geral da União (CGU) considera importante esclarecer pontos metodológicos sobre a divulgação do Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2025, da Transparência Internacional. A CGU vem apontando essas limitações há vários anos, em linha com o consenso internacional pela adoção de métricas baseadas em evidências, conforme os Princípios de Viena para Mensuração da Corrupção (UNODC/OCDE).

O IPC não mede a ocorrência real de corrupção, nem avalia políticas públicas de enfrentamento, investigações ou resultados institucionais. O índice se baseia em percepções de grupos específicos, como especialistas, executivos e analistas, coletadas a partir de fontes distintas, com metodologias, períodos de coleta e pesos diferentes entre os países. Por isso, o resultado combina avaliações que não são diretamente comparáveis e pode variar sem que haja qualquer mudança na atuação do Estado ou no nível real de corrupção. O índice também não reflete a percepção da população em geral e não pode ser usado, isoladamente, como diagnóstico amplo da realidade institucional de um país.

A avaliação da corrupção não pode se limitar à percepção sobre sua existência, sem considerar a capacidade do Estado de prevenir, investigar, punir e reparar danos. Indicadores que ignoram o funcionamento dos mecanismos de controle, fiscalização e responsabilização oferecem uma visão incompleta do fenômeno e podem induzir interpretações equivocadas sobre a realidade institucional de um país.

No caso do IPC, em algumas fontes, especialistas apontam estabilidade ou melhora institucional, enquanto oscilações recentes resultam sobretudo da percepção de executivos e lideranças empresariais, muitas vezes residentes fora do país, cujas avaliações refletem expectativas sobre o ambiente político ou econômico e não experiências concretas de corrupção.

A CGU alerta para um efeito indesejado desses indicadores, o de que países que investigam irregularidades, ampliam a transparência e fortalecem mecanismos de controle tornam os problemas mais visíveis e podem ser pior avaliados em índices baseados em percepção. O combate à corrupção não pode ser tratado como fator negativo. O caso do INSS ilustra esse paradoxo. Foi este governo que identificou o esquema, promoveu investigações, interrompeu práticas ilegais, instaurou processos administrativos e de responsabilização, realizou prisões e bloqueios e iniciou, em menos de três meses, o ressarcimento dos aposentados, que já se aproxima de R$ 3 bilhões. As fragilidades regulatórias apontadas no IPC foram identificadas no andamento dessas investigações e já orientam medidas para prevenir novas irregularidades.

Também causa preocupação a divulgação conjunta do IPC com um relatório qualitativo de país. Embora a própria Transparência Internacional reconheça que a retrospectiva não explica o resultado do índice, a apresentação integrada pode induzir o público a associar a nota do IPC a fatos narrados no relatório, inclusive episódios ocorridos após o período de coleta das pesquisas.

Nesse debate, é possível destacar estudos internacionais com metodologias reconhecidas. Pesquisa recente da OCDE, baseada em amostra representativa de cerca de 2 mil brasileiros, mostrou que a confiança no Governo Federal cresceu de 26% (2022) para 38% (2025), e a confiança no serviço público subiu de 24% para 42%, índices acima da média latino-americana.

O Governo do Brasil responde com resultados concretos. O Plano de Integridade e Combate à Corrupção (PICC) coordena 261 ações em 55 órgãos. Em 2025, a CGU, em articulação com a Polícia Federal, realizou 76 operações especiais (+46% em relação a 2024), identificando R$ 13,6 bilhões em prejuízos potenciais. O valor médio por operação passou de R$ 5,4 milhões (2022) para R$ 188,6 milhões (2025). Nas ações de auditoria e fiscalização, foram gerados R$ 40,6 bilhões em benefícios financeiros aos cofres públicos, três vezes mais que no ano anterior.

Também temos fortalecido a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares, em atuação coordenada entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Além disso, em 2024 e 2025, auditorias da CGU resultaram em 15 relatórios técnicos, abrangendo 72 entes federados e 100 organizações da sociedade civil, com avanços na integração de sistemas, divulgação ativa de informações e fortalecimento do acompanhamento dos gastos públicos.

A CGU ressalta que não é possível medir a ocorrência real de corrupção apenas com base em percepções. Os resultados das ações do governo mostram que o aumento da transparência, das investigações e do controle não significa mais corrupção, mas uma maior capacidade do Estado de enfrentá-la de forma efetiva."
 

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