PF aponta 'empresas de prateleiras' em suposto esquema de propina por Vorcaro a ex-chefe do BRB
Os imóveis de luxo foram constituídas com capital social de R$ 500 e depois passaram para milhões

Foto: Ana Paula Paiva e Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
Os seis imóveis de alto padrão que foram oferecidos como propina ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, estavam vinculados a empresas registradas no mesmo endereço e tinham como capital social de R$ 500, de acordo com informações da Polícia Federal.
Costa foi preso nessa quinta-feira (16) durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude financeira entre a instituição financeira de Brasília com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os bens, avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões, foram associados a pessoas jurídicas distintas utilizadas para ocultar a titularidade oficial dos imóveis.
Conforme publicado no jornal O Globo, todas as empresas estão em nome do empresário Hamilton Edward Suaki, cunhado do advogado Daniel Lopes Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do esquema, e que também foi preso na operação de ontem.
Segundo a PF, Suaki atuava como operador "fictício" das empresas utilizadas na criação da estrutura destinada à aquisição. Procurado pelo jornal, o empresário não se manifestou.
Registros da Receita Federal mostram que as companhias abertas para adquirir os bens têm características semelhantes porque compartilham o mesmo endereço, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, foram abertas em um curto intervalo de tempo, entre julho e outubro de 2024, e possuem o mesmo diretor formal, indicando, segundo a PF, serem empresas de "prateleira".
É classificado uma empresa de prateleira quando uma pessoa jurídica já constituída, com CNPJ e registros ativos, mas que nunca operou.
Também há coincidência nos dados de contato, pelo menos parte das empresas utiliza os mesmos números de telefone nos cadastros oficiais. Todas elas foram constituídas com capital social de R$ 500 e depois passaram para milhões, conforme dados da junta comercial.


