PF deseja investigar vídeos de operação que deixou mais de 120 mortos no Rio
Polícia registrou 9 mil vídeos com imagens de 504 câmeras corporais dos agentes que integraram a Operação Contenção

Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil
A Polícia Militar do Rio de Janeiro registrou 9 mil vídeos com imagens de 504 câmeras corporais dos agentes que integraram a Operação Contenção, que foi deflagrada no ano passado, que ocasionou na morte de mais de 120 pessoas que teriam algum tipo de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), além de quatros policiais.
As imagens foram encaminhadas para a Polícia Federal (PF) sob determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Ao receber as imagens, a PF pediu, na última quarta-feira (15), a Moraes, que as gravações sejam encaminhadas em mídia física pela polícia do Rio de Janeiro, no formato original para verificação de integridade.
Para facilitar o trabalho da perícia, a corporação também pediu que trechos de interesse sejam objetivamente indicados, na intenção de acelerar a análise do caso. Sem que ocorra a triagem, a perícia poderá levar aproximadamente três anos para ser realizada.
“A integralidade do conteúdo indicado a exame, estimado em cerca de 4.500 horas de gravação, deve ser objeto de análise, calcula-se, em sede de análise preliminar e levando-se em conta a disponibilidade de 10 peritos criminais federais, um prazo de atendimento da ordem de três anos”, afirmou a PF.
No mês passado, foi determinado por Moraes que o governo do Rio encaminhe para à PF, as imagens capturadas na operação. A corporação será responsável pela perícia do material obtido.
A decisão de Moraes foi adotada em processo conhecido como ADPF das Favelas - Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635.
A Corte já determinou várias medidas para diminuição da letalidade em operações em comunidades do Rio de Janeiro.


